Opinião

As inovações na forma de se fazer arte

Arte precisa ser livre, não pode acontecer num ambiente de controle


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EDUARDO PEREIRA ARQUITETO
Crédito: divulgação

As artes e atividades fora dos meios do que costumamos apreciar, com inovações, vanguardas, novas linguagens e caminhos são muito desejáveis nesse momento de pandemia, pela nova forma de viver, por colocar em xeque inúmeras maneiras de compartilhar experiências e ações nas linguagens da arte.

É estranho que, depois de tudo o que aconteceu, não olharmos de maneira crítica para as formas que sabíamos fazer para atender padrões e editais de arte convencionais antes da pandemia.

Verifico uma preocupação pelas novas maneiras de olhar para a arte e para as participações entre artistas e público. Essa relação público e artista precisa de uma expansão em todos os sentidos. Digo isso porque espaços físicos não são mais suficientes pra resolver as manifestações de arte.

Novos suportes e ferramentas estão aí para serem usados e principalmente provocados para que a evolução na direção da liberdade sufocada nesse período caminhe para outras maneiras de tratar com os meios de expressão, pintura e desenho, escultura, performances, vídeoartes, design e arquitetura, que precisam estar juntas, inclusive com o teatro.

Nesse sentido, vejo uma divisão complicada na cidade em relação aos espaços públicos que não tem essa coesão na procura do novo. Objetivos e metas são legais para provocarem artistas e atores da cultura no sentido de juntar, expandir, superar suportes e premiar em relação ao que surpreenda prêmio com ênfase nesse contexto expandido.

Vejo a rádio, o teatro, a tv e o jornal numa mesma plataforma compacta para expandir e implementar essas novas realidades de expressão conjunta e estendidas para todo o universo da internet.

Os anos 70 foram marcados por criações coletivas e performances que quebravam o paradigma do autor único. Isso foi exitoso e parece que perdurou, mas é preciso evoluir e espalhar.

As extensas manifestações propiciam possibilidades com o design, o cinema, o teatro, as artes concretas em suportes clássicos, as aplicações da arte na cidade, grafites, nas escolas e em todas as possibilidades de ligar em rede a arte e as experiências nas misturas dessas manifestações. Isso é um trabalho com princípio de quebrar, de romper e avançar para outros lugares, os mais surpreendentes possíveis...

Tenho aqui que falar que padrões com limites são absolutamente frequentes. Esses limites estão consagrados por editais engessados, colaborando para que nada se modifique.

Isso tem um princípio ideológico perigosíssimo, porque direciona o artista para uma manifestação de caráter limitado e limitador pelas regras que são enormes e que, na verdade, deveriam ser de liberdade. Editais insistem no status quo das definições de cada área da expressão da arte. Arte precisa ser livre, não pode acontecer num ambiente de controle. Estamos passando por uma involução, porque espaços foram colocados em xeque, as linguagens sumiram e principalmente daquelas que exigem espaço físico e presencial de público.

É um controle subliminar que engolimos como se isso fosse o "normal" e são de fato o que o senhor ou senhora ou todos no plural, que elaboraram essas regras que garantem um panorama de repetição imutável das manifestações artísticas.

Com o centenário da semana de 22, que já se celebra, essas ações precisam evoluir num crescente, como veio acontecendo nesse entre séculos com milhares de manifestações que consolidaram tantas formas de fazer arte e em tantos materiais novos e também com ferramentas contemporâneas e as que foram de vanguarda. Nesse contexto pandêmico, que não havia onde mostrar as obras de Vera Lucchini, resolvemos fazer um curta. Um documentário, que descortina uma potente produção que fez durante a pandemia. Esse curta foi selecionado no III Festival Cine Inclusão que premiou oito trabalhos selecionados na Mostra Melhor Idade, que teve inscrições nacionais e de países lusófonos, com cerca de 300 inscritos. Esse festival idealizado pela MUK Produções teve apoio e patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e Lei Rouanet.

"Esculturas de Vera Lucchini ", nome do curta, mostra um caráter vital da manifestação e defesa da liberdade da mulher e esbanja representações da real condição feminina no universo brasileiro e latino-americano, está disponível e aberto para qualquer pessoa assistir pelo site do festival www.cineinclusão.com.br que terá início na próxima segunda-feira, dia 18.

EDUARDO CARLOS PEREIRA
é arquiteto e urbanista


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