Opinião

Desejos de viver

A vida, mostra ele, é contínua mudança


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Guaraci Alvarenga
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Ter um doce ombro sempre para encostar;

Domingo sempre de sol;

Caminhada pelas manhãs;

Viajar, viajar e viajar;

Espaguete alho e azeite;

Fugir do cotidiano;

O luar do sítio das Angolas;

Pasta com frutos do mar;

Espumantes na piscina;

Cantar uma canção antiga;

Pão italiano chuchado no azeite;

O canto do bem-te-vi numa tarde amena;

O futebol alegre com amigos da bola;

Dançar e amar;

Ouvir Elis Regina cantando Carinhoso;

As festas nas paróquias do bairro;

Chope bem gelado;

Arroz feijão fritas e ovos;

Por onde for quero ser seu par;

Rever uma velha amizade;

Ouvir canções inesquecíveis;

Pão na manteiga;

Um gato aveludado no sofá;

Um beijo ardente;

O riso descontraído;

Costela no bafo;

Cerveja para matar a sede;

Alvorada com o canto dos pássaros;

A pizza crocante;

O som da chuva;

Os filmes do Poderoso Chefão;

"My Way" na voz de Frank Sinatra;

Um bife na chapa com ovo;

Queijo com goiabada;

Noite de lua cheia;

Volte para mim;

Os amigos do Facebook;

Um lanche de hambúrguer com queijo;

Praia com sol;

Almoço com a família;

Ir ao cinema;

Cheiro de mato;

Sábado de mãos dadas;

Cuidar do cãozinho;

Cheiro da "dama da noite" na varanda;

Jabuticabeira carregada;

Ipê amarelo em flores;

Esperar alguém do coração;

Um telefonema de apoio;

Jardim em flor;

Segunda livre;

Bacalhau na brasa;

Alguém que te ame;

Por do sol no campo;

Descanso na velha rede;

Não congelem a vida;

Festa de aniversário;

A vida não e uma corrida, mas uma viagem a ser desfrutada;

Persiga para fazer o melhor;

Não ter inimigos;

Sorrir, sorrir, sorrir;

Rever os velhos amigos;

Não durmam sem sonhos;

Não tenham medo de aprender;

Um violão na calada da noite;

Não se aceitem sem sangue;

Uma santa gula;

Amar, rezar, cantar;

Salada de camarões;

Nunca ouvir desaforos;

Netos com muito amor;

Não fiquem sem lábios;

A paz de seu amor;

Sem medo de ser feliz;

Sono tranquilo;

Férias em dobro;

Amanhecer com a natureza;

Paz de criança dormindo;

O livro de cabeceira;

O velho chinelo;

A beleza das orquídeas em flor;

Descansar numa rede;

Sonhar acordado;

Sorrir a todo instante;

Acreditar no trabalho;

Ouvir o canto dos pássaros;

A revoada das maritacas;

O ninho do beija-flor na haste da samambaia;

Pescaria com os amigos;

Sonhar acordado;

Sorrir de alegria;

Abraçar com saudade;

Agitar;

Dolce far niente;

Não se encham de calma;

Domingo no parque;

Mundos que se abrem após pandemia;

Ficar quieto em casa;

Gastar energia;

Tempo de aprender com a vida;

Dançar uma noite inteira;

Não fique imóvel;

Permita reproduzir, neste espaço trecho, do filosofo alemão Nietzsche sobre a vida:

"A perfeita liberdade do indivíduo pressupõe que ele não se escravize a nenhuma verdade supostamente absoluta e definitiva. A vida, mostra ele, é contínua mudança. E o ser humano - ser que passa no tempo - não pode alimentar ilusões de permanência, nem pretender repousar seu espírito sobre supostas verdades eternas. Ao contrário deve aceitar conviver com o temporário e o provisório, assumindo sua condição de ser passageiro, viajor, andarilho e por isso livre."

E gostaria de terminar este artigo de hoje com versos da nossa eterna poetisa brasileira Cecilia Meireles em "Valsa":

"Fez tanto luar que eu pensei nos teus olhos antigos/ e nas tuas antigas palavras/ O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos que tornei a viver contigo enquanto o tempo passava/ Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto e modelou tua voz entre as algas /eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege/ e estudo apenas o ar e as águas/ Coitado de quem pôs sua esperança/ nas praias fora do mundo.../Os ares fogem, viram se águas, / mesmo as pedras, com o tempo, mudam.

O meu muito carinho a todos vocês!

GUARACI ALVARENGA é advogado


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