Opinião

50 anos da Luiz Bárbaro

A Escola-Parque "Luiz Bárbaro" era um modelo novo de arquitetura


Divulgação
Jose Renato Nalini
Crédito: Divulgação

A professora Janete Marini, diretora da Emeb Luiz Bárbaro, me lembra que este ano a unidade completa meio século. Fez-me transportar àquela época tão feliz de minha existência, com tantos sonhos e aspirações, muitas das quais se concretizaram.

Estávamos a terminar a administração Walmor Barbosa Martins, que foi um verdadeiro choque em gestão municipal. Jovem, corajoso e entusiasta, já se preocupava com o ambiente, que só se tornou assunto no decorrer da década e com a educação. A Escola-Parque "Luiz Bárbaro" era um modelo novo de arquitetura e de ensino infantil. O nome patronímico foi escolhido para homenagear uma das mais prestantes famílias da Ponte São João. Leta e Oswaldo Bárbaro estavam à frente de todos os movimentos que enalteciam aquele orgulhoso bairro "além Viaduto".

O casal patrocinava eventos, era sempre o primeiro a encabeçar listas de doações e seus filhos, Luiz Francisco (Picoco) e Elisabete (Pituca), seguiram o mesmo caminho dos pais. Não conheci o patriarca Luiz Bárbaro. Mas conheci a viúva, D. Palmira Cervi Bárbaro. A família era acolhedora, bairrista e generosa. Verdadeiro mecenato local. Daí a justiça da homenagem.

A direção do estabelecimento pioneiro foi entregue a Janete Ferreira Prado, que era sobrinha de D. Leta e era uma educadora atuante. Manejava bem o acordeom e suas aulas eram entremeadas de música, a alcançar um êxito singular, com excelente aproveitamento dos pequenos educandos.

O dia da inauguração foi de festa. A Ponte São João inteira estava lá. Mas também autoridades como o juiz Heliomar Pontes Saraiva e o procurador de Justiça Jorge Luiz de Almeida, um benfeitor cuja memória precisa ser reverenciada. Era quem aconselhava os estudantes a se prepararem rumo a uma carreira exitosa. Incentivava os bacharelandos a estudarem com afinco, desde os anos iniciais do curso de Direito, pois se garantiria o sucesso nos já disputados e árduos concursos de ingresso à Magistratura e ao Ministério Público.

Foi o que ele fez comigo. Fora seu aluno na Universidade Católica de Campinas, que ainda não era Pontifícia. Isso se deveu a dom Agnelo Rossi, que se tornou o prelado de maior influência na Santa Sé. Chegou a acumular três importantíssimas funções: comandava a "Propaganda fidei", que veio depois a se chamar Congregação para a Evangelização dos Povos, era o Camerlengo, responsável pelo conclave para eleger novo Papa e era o ecônomo do Vaticano.

Mas Jorge Luiz de Almeida e Hélio Quadros Arruda se revezavam na cadeira de Processo Penal e o querido doutor Jorginho me aconselhava prestar concurso para o Ministério Público. Por insistência sua, inscrevi-me. Porém, atuando ao lado de Walmor, não tinha tempo para estudar. Ocorre que o concurso inicial, a prova escrita, seria exatamente naquele domingo em que se inaugurava a "Luiz Bárbaro".

Estava eu lá, congratulando-me com a família, com o prefeito Walmor e com a secretária da Educação, Maria de Lourdes Torres Potenza, quando Jorge me lembra: "E o concurso? É hoje à tarde! Você ainda está aqui?".

Nisso intervém a Providência Divina. Vicente Genovez, que estava presente e era uma pessoa também atenta ao futuro da mocidade, se prontificou a me levar a São Paulo, para onde também iria logo mais, permitindo que eu estivesse a tempo no local destinado à primeira prova.

Foi esse conjunto de circunstâncias favoráveis que me propiciou comparecer a uma prova da qual já havia desistido. Fui, escrevi bastante, procurei responder todas as questões - e, àquela época, não havia limite de linhas nas respostas. Excedi-me, é claro. E esqueci. Voltei ao período de inaugurações, para entregar à cidade tudo aquilo que Walmor e Tarcísio haviam prometido.

Com surpresa, recebi a notícia do Dr. Jorge de que eu havia sido aprovado na primeira fase. Foi então que resolvi estudar com afinco para as provas orais. Junto com Kioitsi Chicuta, meu grande amigo, depois meu compadre, estava comigo então e, quatro anos depois, fomos juntos enfrentar outra batalha: o concurso para a Magistratura.

O cinquentenário da "Luiz Bárbaro" me propicia revolver este baú de memórias. Hoje os Bárbaro se foram! Mas o nome deles está, definitivamente, inscrito na lembrança da Ponte e de nossa Jundiaí.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras - 2021-2022


Notícias relevantes: