Opinião

As dificuldades para 2022


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Messias Mercadante
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Alguns indicadores econômicos vão fechando o ano e apontando como efetivamente será a fotografia de 2021 e as tendências para 2022. Registro abaixo alguns números: Empregos – o PNAD – Pesquisa por Amostra de Domicílios vem registrando ao longo do ano uma contínua recuperação dos empregos que, não obstante um contingente elevado de desempregados da ordem de 13,7 milhões, os empregos gerados deverão ultrapassar a casa dos dois milhões.
Quanto maior o número de empregos gerados, teremos, como tendência, que um grande contingente de trabalhadores, fora do mercado, que não procurava empregos, passe a procurá-los;
Inflação – Com a inflação medida pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, em 1,20% em outubro, as projeções indicam inflação elevada de cerca de 10,25% para o ano;
Taxa de câmbio – O Brasil vem exportando mais do que importando; vem gastando menos com Turismo Internacional, lógica que indica a posição de uma oferta maior que a demanda de dólares no mercado, entretanto, no mercado de cambiais há uma demanda maior que a oferta com a valorização do dólar que se soma aos preços elevados do petróleo, insumos agrícolas, matérias-primas e alimentos e a inflação interna se eleva e causa grandes danos à economia nacional. O dólar projetado para o final do ano fica em torno de R$ 5,40;
Crescimento do PIB – Produto Interno Bruto – Neste ano a economia evolui para um crescimento de 5,3% no seu PIB. Considerando que em 2020 caiu 4,1%, temos uma recuperação econômica importante em meio a uma ainda instável atividade econômica internacional, sem contar com o lento processo de regressão da covid-19, que felizmente está sob controle;
A questão fiscal – Com um pequeno superávit primário em setembro, da ordem de R$ 320 milhões e um déficit primário de cerca de R$ 89 milhões, o país deverá fechar o ano com um déficit razoavelmente menor do que o estimado no orçamento, da ordem de R$ 134 bilhões;
Taxa Básica de Juros – Selic – O Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil acabou de elevar a Taxa Básica de Juros para 7,75% ao ano. Ao mesmo tempo, sinalizou que, mantidas as tendências inflacionárias para os meses restantes deste ano, na próxima reunião do Copom, em dezembro próximo, voltará a elevar em 1,5% os juros, que passarão para 9,25% ao ano, podendo, na pior das hipóteses, chegar a 10%;
Produção de grãos – Dada a relevância para a Balança Comercial do Brasil, destaco aqui a produção de grãos em 2021 que atingiu, conforme dados da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, 271,7 milhões de toneladas, com um crescimento de 5,7% sobre a produção de 2020.
Com os indicadores acima e com o momento atual e as tendências futuras para a economia mundial para o próximo ano, analistas econômicos estão pessimistas com as possibilidades de desempenho para a economia nacional. Temos, todavia, alguns dados que podem nos dar ânimo e acreditar em um ano que embora, não muito, mas positivo para o País, vejamos : - A Conab projeta que a safra de grãos a ser colhida em 2022 possa chegar a 289,6 milhões de toneladas de grãos. Nossas exportações para a China, que está retomando atualmente um ritmo mais forte de sua economia, deverão ocorrer com normalidade;
O superávit na balança comercial deste ano, que deverá fechar em US$ 65 bilhões, poderá perfeitamente ser repetido ou ampliado em 2022;
O montante dos investimentos diretos dos estrangeiros no País, neste ano, deve atingir a cifra de USS 60 bilhões, número próximo ao que vem ocorrendo nos últimos anos e que, portanto, poderá, também, se repetir em 2022;
Os investimentos privados em curso na construção civil e, paralelamente, na infraestrutura dos estados e municípios, assim como no saneamento básico do País, são geradores de riqueza, empregos e renda.
É verdade, as dificuldades são muitas, mas é preciso acreditar que podemos superá-las.

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO é professor de economia da Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE e consultor de empresas


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