Opinião

Com queda de exames, piora do câncer de próstata

Números do SUS mostram que as consultas urológicas diminuíram 33,5%


Arquivo pessoal
Rodrigo Lima
Crédito: Arquivo pessoal

O Novembro Azul, mês de conscientização e combate ao câncer de próstata, começa com a estimativa de que só esse ano serão registrados 65 mil novos casos da doença no Brasil. Apesar da projeção do Instituto Nacional de Câncer (Inca), especialistas destacam que a doença tem 90% de chance de cura quando diagnosticada precocemente.

De fato, o câncer de próstata segue como o segundo mais comum entre homens no País e corresponde a cerca de 29% dos tumores malignos dessa parcela da população. Contudo, dados da Sociedade Brasileira de Urologia mostram que dois terços dos homens com mais de 40 anos não realizam exame de toque e metade jamais fez teste de PSA - exame de sangue usado para ajudar no diagnóstico.

Mais do que isso, a SBU registrou uma queda de 21% nas biópsias e de 27% no exame de sangue entre 2019 e 2020. Já com a pandemia, números do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que as consultas urológicas diminuíram em 33,5%. Tudo isso mostra um cenário de retrocesso nos cuidados com a saúde masculina, em especial no que diz respeito à próstata.

Isso reforça a necessidade de acompanhamento regular. Muitas doenças crônicas tiveram acompanhamento e tratamento postergados por conta da pandemia. E a isso adicionamos também os exames preventivos, de check-up e de rastreamento de doenças. É muito importante que, num momento de melhora do cenário com relação à infecção e internação por coronavírus, as pessoas se atentem a essas questões e retomem os cuidados básicos com a saúde.

É sempre importante frisar que a ausência de sintomas não pode ser encarada como sinal de que não existe problema e de que não há necessidade de fazer consultas regulares. Eventualmente, podem surgir problemas como dores intensas, alterações urinárias e até insuficiência renal. Porém, na maioria dos casos, esses sintomas ocorrem já em etapas avançadas da doença.

O estágio da descoberta está diretamente ligado à escolha do tratamento e à taxa de sucesso. Mesmo em casos muito avançados, em que a doença já saiu da próstata e se espalhou para outros órgãos, existem opções de tratamento como bloqueio hormonal com injeções, radioterapia, medicamentos anti-androgênicos, terapias com radiofármacos, entre outros.

Entretanto, esses tratamentos não promovem mais a cura nessa fase avançada da doença, prolongando a sobrevida. Além dos exames regulares a partir dos 40 anos, também é importante estar atento a fatores de risco que podem aumentar as chances como histórico familiar, sedentarismo, obesidade, alimentação rica em gordura animal e deficiente em frutas, legumes, verduras e grãos e avanço da idade.

Embora o câncer de próstata seja uma ameaça à saúde masculina, também é fundamental avaliar a presença de outras doenças da próstata, além de cálculos urinários, problemas hormonais, disfunção erétil, entre outras.

Fatores como machismo, falta de prioridade com a saúde, falta de informação e, consequentemente, medo de dor ou de descobrir doenças ainda são obstáculos que afastam os homens do consultório. Vencer essa barreira é fundamental para mudar o quadro atual em que 1 em cada 7 homens deve ser vítima da doença.

Em relação à prevenção, o que costuma ser bom para o coração também tem efeito protetor contra o câncer de próstata. Cuidar do peso, reduzir consumos de gorduras animais e excesso de carboidratos são medidas que reduzem o risco de doença maligna na próstata. É muito importante frisar que, em casos de diagnóstico precoce, com a doença em fase inicial, as taxas de cura ultrapassam 90%. Existem diversas opções de tratamento, individualizadas, a depender da idade do paciente, doenças associadas, estágio da doença nos exames laboratoriais, de biópsia e de imagem.

Esses tratamentos se baseiam, principalmente, na retirada cirúrgica da próstata, ou em opções menos invasivas caso o paciente não seja candidato a cirurgia, como radioterapia ou terapia focal com ultrassom de alta intensidade (HIFU). Ainda assim, para os casos cirúrgicos, existem opções minimamente invasivas, especialmente com auxílio da cirurgia robótica, que reduzem de modo importante as complicações cirúrgicas indesejadas do tratamento (incontinência urinária e disfunção erétil).

RODRIGO LIMA é urologista


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: