Opinião

O que o futuro tem em reserva

É preciso que assumam suas responsabilidades


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Messias Mercadante
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Ao término quase que concomitantemente da reunião do Grupo das 20 maiores economias do mundo, realizada em Roma, na Itália e a COP-26, Conferência das Nações Unidas para o clima, ocorrida em Glasgow, na Irlanda, é possível identificar os problemas centrais que afetam o clima e a vida neste planeta que habitamos.

Às vezes, me pergunto, até que ponto avançará o atual nível de disrupção do comportamento psicossocial das sociedades; das mudanças vertiginosas na escala de valores, que uma empresa startup ainda jovem se transforma em um unicórnio, valendo mais que US$ 1 bilhão e que bancos eletrônicos fintechs avançam em nível supersônico em relação aos bancos tradicionais?

Em meio a essas aceleradas realidades transformadoras, estão os países e as sociedades e, em particular, pari-passu, a juventude mundial, estudando e olhando atentos para o "mercado" de negócios e de trabalho para definirem seus posicionamentos presentes, olhando para o futuro. E como o mundo estará num futuro próximo?

Vivemos hoje o momento decisivo de romper com modelos antigos, como propõe Hazel Henderson: "As ferramentas de avaliação (quer do passado, quer do presente) baseadas em modelos macroeconômicos e usadas para medir "sucesso" econômico e empresarial, estão hoje obsoletas, a julgar pelos pontos de vista da justiça global, do desenvolvimento humano, da conservação ambiental e da administração de recursos".

O texto acima e o que vou transcrever abaixo, foram retirados do livro "A Gestão Ética, Competente e Consciente", que tive a oportunidade de escrever conjuntamente, com a economista, Lúcia Maria Alves de Oliveira - uma homenagem a Ernest .F. Schumacher, pela Editora M. Books, em 2008.

Em seu célebre livro "Small is Beautiful" e também em nossos entendimentos, abordamos as questões tecnológicas e, Schumacher participando de um grupo de pesquisadores concluíram pelo conceito de "tecnologia intermediária", que inspirou muitos países pobres, desprovidos de recursos para grandes investimentos de capital, mas abundante mão de obra, a desenvolverem projetos socialmente inclusivos. Esse é seguramente um caminho possível a ser seguido pelos países pobres.

Na COP-26, a meta para a redução de emissão de carbono por parte dos países em desenvolvimento requer aportes anuais de bilhões de dólares por parte dos países ricos, os maiores poluidores do mundo. O Brasil registrou as necessidades anuais de US$ 100 bilhões para a preservação da Amazônia, pelos países limítrofes.

Para entender o posicionamento atual dos países, recorro ao texto do Sociólogo Edgard Morin, em seu livro "Introdução ao Pensamento Complexo", no qual aborda uma questão muito próxima do que assistimos, até aqui, dos países desenvolvidos, em relação ao meio ambiente, vejamos: "O enfraquecimento da percepção do global conduz ao enfraquecimento da responsabilidade (cada qual tende a ser responsável apenas por sua tarefa), assim não agindo com solidariedade."

O texto, numa visão fotográfica, pode nos induzir a pensar que os países ricos agiram corretamente, porém, numa visão cinematográfica, verificaremos o quanto de CO2 jogaram e jogam no meio ambiente. É preciso que assumam suas responsabilidades.

O Brasil, representado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite e seus assessores, vem desempenhando um importante papel na Conferência da ONU, defendendo as necessidades do Brasil e dos países em desenvolvimento.

Uma crítica bem articulada pelo socioeconomista, Ignacy Sachs, afirma: "A economia capitalista é louvada por sua inigualável eficiência na produção de bens (riquezas), porém, ela também se sobressai por sua capacidade de produzir males sociais e ambientais."

Essa é uma dura realidade que precisa ser corrigida, enquanto temos tempo.

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO é professor de economia na Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE e Consultor de Empresas


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