Opinião

Rumo à civilização ecológica


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Jose Renato Nalini
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O mundo mudou e nem tudo foi para pior, como parecer possa. É óbvio que o extermínio do verde no Brasil é uma chaga aberta no estágio civilizatório planetário. Em compensação, países como a China se convenceram de que é preciso reagir à insanidade e garantir futuro para os nascituros. Ali, investe-se como nunca em busca de matrizes energéticas limpas. Recorre-se ao legado acumulado em milênios e ressurge o confucionismo, atrelado ao ideal de uma civilização ecológica.

O Brasil só tem a aprender com isso. Não está em condições de tergiversar, nem de ignorar o que os mais desenvolvidos fazem para mitigar os efeitos do aquecimento global. À falta de política estatal, a sociedade civil e o empresariado assumiram o protagonismo que garante o retorno tupiniquim ao cenário mundial.

Cada brasileiro tem de se compenetrar de que a saída para nosso combo de crises é a educação de qualidade. Educação que é responsabilidade também da sociedade civil e da família, cuja participação é expansiva diante da inércia e omissão do governo.

A educação é um processo contínuo, que tem de durar a vida inteira. E a vida, para alguns, é um episódio de longa duração. A longevidade é um fato. Convive com a chacina de milhares de jovens negros ou pardos. Mas precisa responder aos desafios. São muitos, mas são também sedutores convites a uma permanente reavaliação do conhecimento.

O conceito de “lifelong learning”, ou aprendizado contínuo, é capaz de impulsionar a corrida em direção à obtenção de conhecimento útil para o enfrentamento de situações geradas pela profunda onda disruptiva gerada pela Quarta Revolução Industrial.

Existem inúmeros cursos de aprimoramento gratuitos, como os oferecidos pelo Sebre, com cento e trinta opções destinadas a quem pretende abrir negócio próprio. São cursos como marketing digital para o empreendedor, o passo a passo para alcançar o sucesso financeiro, o Bora Empreender que usa referências pop, como Star Wars e Harry Potter, tudo para cativar o público jovem. Basta consultar o site.

O jornalista Alexandre Teixeira escreveu, com Clara Cecchini, o livro “Aprendiz Ágil: Lifelong Learning, Subversão Criativa e outros segredos para se manter relevante na Era das Máquinas Inteligentes. É uma leitura interessante para quem pretende renovar a sua base de conhecimentos e atuar num complexo, mas sedutor mercado de trabalho.

Prevalece, entre os pensadores mais argutos, a ideia de que um aprendizado só surtirá efeitos se provier da adesão firme da vontade do educando. Já não funciona – e a escola pública é o atestado eloquente disso – aquela imposição de cima para baixo, de modelo-padrão que elimina a capacidade de participação do alunado.

Ensaia-se, no discurso, estimular a elaboração do “projeto de vida” do aluno, mas na prática, não existe magistério em número suficiente para o desempenho da nova missão do educador: ser um curador, um tutor de conteúdos, um orientador, um companheiro de viagem de alguém que mergulha num consistente projeto de realmente aprender.

As grandes empresas cujos algoritmos controlam nossa vida e nos conhecem melhor do que nós mesmos, já perceberam a sede de conhecimento variado, heterogêneo e necessário para o desempenho de outros papeis na vida profissional. Por isso proliferam plataformas profissionais e de atividade extras que propiciam o aprendizado de hard e soft kills. O Linkedin ofereceu, gratuitamente, cursos da área Learning, que são adicionados ao perfil do usuário, assim que concluídos. Houve eficiente parceria entre Linkedin e Microsoft que motivou milhões de pessoas, em todo o mundo, a penetrar universos antes inexpugnáveis. Hoje, essa a demanda para quem não quiser sair de cena.

É importante que os maduros se lancem na prazerosa aventura de aprender mais a cada dia. Um só dia em que nada se aprendeu de novo, é um dia desperdiçado na breve passagem que os humanos encetam neste sofrido planeta.

Tudo com vistas a tornar a convivência mais harmônica, mais cooperativa, mais fraterna e solidária. É isso o que a humanidade está sendo chamada a protagonizar nesta era tão assustadora, mas tão fascinante.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras – 2021-2022


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