Opinião

As lições do Natal


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Miguel Haddad
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Esses têm sido tempos difíceis. Vivemos um momento desafiador, tendo de enfrentar, além da pandemia, o aumento da miséria e da fome, uma triste realidade cotidiana para grande parte do povo brasileiro, agravada pela profunda divisão nacional, muitas vezes acompanhada de pesados discursos de ódio que nada constroem.

Como um bálsamo, mesmo que tenha sido por um momento, o Natal nos trouxe o calor familiar que tanto carecemos e iluminou o caminho que precisamos seguir para fazer frente a esses desafios, com suas verdades tantas vezes repetidas - mas pouco escutadas - que, em sua essência, pregam a paz na terra entre as pessoas de boa vontade.

A realidade, muitas vezes de forma brutal, nos força a abandonar esse encantamento e nos faz quase perder as esperanças em promover uma união nacional, o caminho da sensatez para enfrentar nossos problemas, ainda mais em um ano de eleições, de embates, que acirram essa nefasta divisão.

Já foi dito que a política é a arte do possível. Como político, posso atestar a veracidade dessa afirmação. E, em uma Democracia, não poderia ser de outra forma, não dá para impor. Mas dá para lutar e, eventualmente, vencer a luta. Quando formatamos a Parceria Público-Privada que tornou Jundiaí modelo em saneamento básico e abastecimento, uma medida estruturante, chave para o desenvolvimento de nossa cidade, por pouco não fomos forçados a desistir de levar em frente essa iniciativa em razão das críticas ao projeto, por razões ideológicas.

Depois de todas essas ponderações, em um artigo publicado logo após o Natal, o que quero dizer é mais do que uma proposta, é um apelo, de alguma maneira semelhante ao que John Lennon pediu ao mundo para dar uma chance à Paz.

Vamos dar uma chance à união. Vamos nos manifestar, opinar, votar contra a divisão, a favor de um governo sinceramente empenhado na reconciliação nacional. Não há outra maneira de reverter o trágico quadro da realidade brasileira, que pode ser visto claramente na frieza dos números: em 2012, a verba para investimentos do orçamento nacional era R$ 200 bilhões. Hoje é R$ 48 bilhões. Para financiar as eleições e para o Orçamento Secreto, todavia, a verba é gorda: R$ 21,5 bilhões.

Por que isso acontece? Como foi possível chegarmos a tal insanidade?

Essa divisão, essa polarização, que divide o povo brasileiro, que faz com que muitas famílias ao invés de celebrarem juntas o Natal, se dividam, muitas vezes com ódio, é de fato a razão maior para esse descaminho.

Querer, a esta altura do campeonato, pregar a união entre torcidas rivais pode parecer ingênuo, simplório, mas tem a força da Verdade. E esta é a hora.

Vamos repudiar o discurso de ódio, que nos leva a essa divisão. Vamos defender o que é do interesse de todos. Se nos unirmos, se nos livrarmos dos extremismos, teremos dado o passo certo para deixarmos para trás o pavor da fome e a angústia das incertezas.

Somos todos passageiros de uma mesma viagem.

Essa é a singela lição do Natal.

MIGUEL HADDAD é deputado federal


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