Opinião

Precisamos de novos rumos ao Brasil

O Brasil vem reduzindo sistematicamente o percentual de investimentos


Divulgação
Messias Mercadante
Crédito: Divulgação

É elementar que o instrumental produtivo de um País sofra, anualmente, um processo de depreciação que, se não renovado, irá gradualmente, perdendo eficiência produtiva que, inexoravelmente, provocará aumento no custo operacional, perda de produtividade, que culminará em duas graves consequências: aumento dos custos dos serviços para a sociedade - leia-se, aumento da inflação e perda de competitividade do País no mercado internacional.

Estruturalmente, é de conhecimento global que, sem investimentos robustos, nenhum País consegue se desenvolver.

É lição primeira no mundo empresarial que, para crescer e conquistar espaços nos mercados, interno e internacional é preciso investir pesado em ciência e tecnologia; processos e sistemas; novos produtos; pesquisas de mercado no País e no Exterior e treinamento contínuo e aperfeiçoamento do quadro de profissionais. É preciso um persistente esforço de gestão para, pelo menos, andar paralelo às exigências do mercado e na velocidade dos concorrentes, desejavelmente, mais rápido.

Sempre que indivíduos e empresas se defrontam com problemas a resolver, via de regra, encontram algumas possíveis possibilidades de solução.

Quando um País planeja seu crescimento e ou, ainda melhor, o desenvolvimento econômico, o caminho primeiro é o de criar condições para "ampliar os níveis de investimentos", sem o qual, não conseguirá crescer. Criando essa margem no "orçamento público", é possível, a partir daí, eleger prioridades, como a educação, saúde, saneamento básico e infraestrutura nacional.

O Brasil vem caminhando, ao longo das três últimas décadas na direção oposta dessas necessidades e, ano após ano, vem reduzindo sistematicamente o percentual destinado para "investimentos", na proporção do seu PIB - Produto Interno Bruto. Atualmente, o Setor Público(Municípios, Estados e União), investe apenas cerca de 1,2% do PIB Nacional. No passado, já investimos cinco, seis vezes mais.

Essa é a razão que leva ao baixo nível de desempenho da economia brasileira, que oscila entre a queda e o baixo crescimento da economia, o que se torna mais grave, quando confrontado com um crescimento populacional anual, de cerca de 0,8% a 0,7%.

Recorrentemente, esse quadro vai se agravando, porque o fato de não termos crescimento sustentável e com uma população em crescimento, o País não gera empregos, portanto, sem a contrapartida de renda não estimula o consumo, o que estrangula a produção e a própria capacidade de investimentos do "setor privado".

Temos uma equação simples, de mais e menos, que, porém, no Setor Público, em seu orçamento, não se consegue o resultado correto. Gastamos muito com as "despesas de custeio", que foram crescendo com o inchaço da máquina pública, no Executivo; no Legislativo e no Judiciário e o País quase não tem recursos para reinvestir no "instrumental produtivo nacional" e investir para a melhoria da qualidade de vida e nos segmentos estruturantes da economia.

Estamos "todos" viajando, já há muitos anos, a "curso forçado politicamente", no mesmo rumo e direção. Se não alterarmos a rota da política econômica, com um sentido "politicamente correto" de enxugarmos os partidos políticos e os excessos de gastos nas "três esferas do poder", continuaremos, sem qualquer possibilidade ou perspectiva de alterar o quadro degradante que temos, de baixo nível de educação, precária saúde pública, infraestrutura em fase de obsolescência, mediocridade em investimentos públicos, baixo ou negativo crescimento econômico, com o desemprego presente na vida de milhares de brasileiros e péssima distribuição da renda. Se a economia cresce, como neste ano, a falta de âncoras de sustentabilidade não nos garante a sua continuidade para os próximos anos seguidamente.

O País depende de "decisões políticas" para alcançar a direção necessária e imprescindível, o que, para tal, depende das reformas: Política; Administrativa; Tributária; Trabalhista e Previdenciária. É preciso avançar.

MESSIAS MERCADANTE DE CASTRO é professor de Economia no Unianchieta, membro do Conselho
de Administração da DAE e consultor de empresas


Notícias relevantes: