Opinião

O futuro do emprego industrial

É interessante notar o crescimento das ocupações de nível técnico e superior


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Vandemir Francesconi Junior
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou na semana passada um amplo estudo intitulado o Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025. Trata-se de um levantamento que tem como finalidade identificar demandas futuras por mão de obra e orientar a formação profissional da indústria brasileira.

A principal conclusão é que será necessário qualificar 9,6 milhões de pessoas para trabalhar em ocupações industriais nesse período. Chama a atenção que, desse total, apenas dois milhões de pessoas serão para formação inicial, ou seja, para iniciar a vida profissional. A ampla maioria (7,6 milhões de pessoas) deverá fazer formação continuada - cursos de atualização para que possam exercer as funções demandadas pelo mercado.

O Mapa do Trabalho estima que cerca de 497 mil empregos formais serão criados na indústria até 2025, perfazendo um total de 12,8 milhões. Em volume de vagas, ainda prevalecem as ocupações de nível de qualificação, que respondem por 74% do emprego industrial. Nesses casos, não é necessário ter um nível de escolaridade específico, mas estar qualificado para a ocupação por meio de algum curso.

Porém, é interessante notar o crescimento das ocupações de nível técnico e superior. Esta tendência deve permanecer por conta das mudanças organizacionais e tecnológicas, que fazem com que as empresas busquem profissionais de maior nível de formação, capacitados para executar tarefas e resolver problemas mais complexos.

As áreas com maior demanda por formação são: transversais (que permitem ao profissional atuar em diferentes áreas, como técnico em segurança do trabalho, técnico em apoio em pesquisa e desenvolvimento, entre outros), metalmecânica, construção, logística e transporte, e alimentos e bebidas.

As conclusões da pesquisa espelham a transformação em curso no mercado de trabalho, resultado, sobretudo, do uso de novas tecnologias e mudanças na cadeia produtiva. Daí a necessidade de se investir cada vez mais em aperfeiçoamento e requalificação dos profissionais.

Este trabalho o Senai-SP faz com excelência, respeitando as vocações regionais para a oferta de cursos, o que aumenta a empregabilidade dos alunos ao fim de sua formação e atende à demanda do mercado. O Senai-SP também segue sintonizado com as novas tendências. No ano passado, por exemplo, inaugurou na capital paulista uma unidade voltada para a biotecnologia, uma das áreas mais estratégicas para o futuro da economia global.

Sem falar na unidade do Senai-SP de São Caetano do Sul, que é um Open Lab da Indústria 4.0, setor que abrange áreas como computação em nuvem, inteligência artificial, big data, internet das coisas, block-chain e cibersegurança.

Inclusive, como a demanda de profissionais de Tecnologia da Informação não para de crescer, o Senai-SP está lançando cursos gratuitos em parceria com grandes players do setor, como Amazon, Cisco, Google, Oracle e Microsoft. Serão 270 mil novas vagas nos próximos quatro anos, a maioria para requalificação, das quais 60 mil devem ser abertas ainda em 2022.

Profissionais qualificados, atualizados, em constante formação não são mais uma necessidade do futuro, mas do presente. Só assim será possível dispor de empregos melhores, contribuir para o progresso tecnológico e aumentar a produtividade da economia brasileira.

Vandermir Francesconi Júnior é 2º vice-presidente do CIESP e 1º diretor secretário da FIESP


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