Opinião

Uso excessivo de tecnologias nas crianças

Criança precisa de movimento, de brincadeiras, de esporte e ar livre


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Liciana Rossi
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"Dar telefones celulares às crianças traz paz aos pais, pois elas ficam entretidas por horas, mas também deixa as crianças muito mais ansiosas. Quando entregamos celulares ou tablets para nossas crianças, estamos mudando não apenas as informações que elas podem acessar, mas também seus hábitos, personalidades e gostos". Esses dados foram tirados do livro, "Be the Parent, Please: Stop Banning Seesaws and Start Banning Snapchat" , de Naomi Schaefer Riley.

Esse assunto é tão relevante que ultimamente, em todos os encontros com mães dos amiguinhos dos meus filhos, o tema sempre entra nas conversas. Ninguém sabe ao certo como lidar, já que as crianças, se não tiverem seus celulares, ficam de fora da turminha, muitos trabalhos escolares têm sido feitos em reuniões grupais remotas, principalmente com a chegada da pandemia, e por conta dela, muitas crianças acabaram utilizando dispositivos eletrônicos com mais frequência.

Resolvi pedir a ajuda de uma especialista no assunto, a psicóloga doutora Fabiana Salgado, especializada em crianças, adolescentes e na orientação de pais, que trouxe uma excelente exemplificação do que vem ocorrendo. Segundo ela, cada vez mais as crianças estão sendo expostas ao excesso de tecnologia.

Os eletrônicos prendem a atenção dos pequenos, a aprendizagem por repetição induz à passividade, ao isolamento e vai na contramão do que desejamos para a vida de nossas crianças. Os eletrônicos atuam no sistema de recompensa do cérebro, liberando neurotransmissores, que tem a função de aliviar o estresse, mas isso consequentemente os leva à dependência.

A doutora Fabiana ainda complementa dizendo que o grande perigo é que as novas mídias acabam preenchendo o ócio, o tédio, o abandono afetivo, os pais "superocupados" muitas vezes em seus próprios celulares, e isso prejudica muito o vínculo entre pais e filhos. Na maioria das vezes, as crianças ainda não atingiram uma idade onde tenham competências básicas para interagir com seu meio, acabando com déficits na atenção, aumento da impulsividade, irritabilidade, desobediência, queda no desempenho escolar, dentre outros problemas.

Sendo que os principais prejuízos da tecnologia no desenvolvimento infantil e mesmo do adolescente são: atraso da linguagem, ansiedade, sedentarismo, problemas de visão, sensação de solidão, obesidade, depressão, baixa autoestima, distúrbios de aprendizado, afastamento social, dificuldade de concentração e problemas na qualidade do sono.

Os prejuízos são muitos. Fora que nesta lista não entraram problemas relacionados à postura, dores nas coluna, dores de cabeça relacionadas à posição anteriorizada da cabeça, problemas respiratórios decorrentes da má postura. A hipercifose torácica, "corcunda", é frequente em corpos fracos que não sabem lidar com a gravidade. A postura das crianças está cada vez pior. Cheque a do seu filho e se possível corrija-o com jeitinho, para que ele aceite suas orientações.

A doutora Fabiana frisa também que criança necessita de interação social, contato físico, carinho, atividades em família. Eu aproveito e friso: criança precisa de movimento, de brincadeiras com outras crianças, de esporte e ar livre, de alegria. Muita saúde a todos.

LICIANA ROSSI é pós-graduada em Treinamento Desportivo (Unicamp), Exercícios Corretivos (Academia Nacional de Medicina Esportiva dos USA), CHEK Practitioner2, HolisticLifestyle Coach2, CHEK Institute/USA, L.P.F. Specialist e graduanda SomaTraining/ELDOA-USA.


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