Opinião

As revelações do Fórum de Davos

A questão principal foi a inflação e seus nocivos efeitos aos países pobres


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Messias Mercadante
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Em mais uma edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nos painéis, debates e pronunciamentos de autoridades mundiais, os temas, como não poderia deixar de ser, abordam com preocupação e desafio para o mundo: a questão da inflação e seus nocivos efeitos desproporcionais causados aos países pobres, suas causas e instrumentos para combatê-la.

Dado a característica do núcleo principal da inflação - petróleo, gás, energia e alimentos -, seus efeitos, neste caso, se expandem rapidamente por todos os continentes, provocando um efeito multiplicador inflacionário, que corrói o poder de compra das classes sociais de menor nível de renda, maximizando a pobreza no mundo, o que já vem provocando o crescimento da fome mundial.

Outro tema importante retrata a desumanidade da guerra na Ucrânia que, além do triste registro de mortes de milhares de pessoas, levou à dissolução de famílias com cerca de seis milhões de ucranianos que foram obrigados a se refugiarem em outros países europeus.

Também a destruição de cidades inteiras com suas infraestruturas e saneamento básico, restando ainda o sofrimento de crianças e jovens sem poder estudar e também a desestruturação do sistema de saúde do país.

De todas as análises, ficou no ar, ainda sem um posicionamento global conclusivo, como encerrar a guerra e, depois, como reconstruir a Ucrânia?

Outro tema se posicionou sobre o baixo nível de crescimento econômico mundial, previsto para este ano, segundo projeções do FMI - Fundo Monetário Internacional, de apenas 3,2 % e, condicionado à política monetária que venha a ser praticada pelo Banco Central Americano - Federal Reserv que, se aumentar consecutivamente, em suas reuniões, os juros para combater a inflação, de aproximadamente 8,5% ao ano, poderá provocar um processo de estagflação; mesmo caminho que tenderia seguir o Banco Central Europeu, já que por lá a inflação anda no patamar de 7,5% ao ano, o que provocaria o mesmo resultado recessivo, contaminando todo o mundo.

Há, em Davos, um olhar preocupante em relação à economia da China que, em decorrência de lockdowns sucessivos em Xangai e Pequim, além de outras cidades com grande densidade populacional, a atividade econômica ficou prejudicada no País, que crescerá entre 3,0% e 4,0% neste ano, bem menos que o esperado no início do ano, o que tem afetado de forma acentuada a atividade econômica mundial.

Por último, porém não menos importante, pelo contrário, retratamos a pauta relativa à preservação do meio ambiente, a necessidade do crescimento mundial da biodiversidade com o uso da energia renovável e o necessário crescimento das operações do "crédito de carbono", com base na preservação das florestas e o necessário crescimento da economia verde no mundo.

Pauta essa em que o Brasil pode ser o grande protagonista mundial.

Enfim, dada a grande crise mundial, muito provavelmente, a maior após a segunda guerra mundial, o Fórum foi muito mais recorrente aos problemas e muito menos propositivo e estratégico para o presente e o futuro dos negócios no mundo.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia no Unianchieta, Membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empesa.


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