Opinião

Cereja no pão

O que estava desbotado, ganhou cores. O que estava esmaecido, renasceu


 Arquivo pessoal
Cristina Castilho
Crédito: Arquivo pessoal

Dia diferenciado na Associação Socioeducacional Casa da Fonte, projeto idealizado e mantido pela Companhia Saneamento de Jundiaí - CSJ. Portões abertos, pessoas diferentes, latas de tinta, pinceis, escada, pallets... Em um dos bancos de entrada: bolas, jogos, bonecas, bichinhos de pelúcia... No outro, material de higiene pessoal. A brisa da manhã, à espera de que o sol esquentasse mais, espalhava o aroma dos sabonetes. As crianças curiosas ao ver. Apreciavam pensando no propósito de cada item.

Dia dos 125 anos da Dow Química, celebrado com maratona global de voluntariado. Os funcionários de todas as unidades se uniram para a primeira Serve-a-thon. Na camiseta, a frase "Imagine Better". Imagine Melhor.

A Dow Química é uma corporação estadunidense de produtos químicos, plásticos e agropecuários com sede em Midland, Michigan, Estados Unidos. A unidade de Jundiaí - para felicidade nossa - escolheu a Casa da Fonte para sua ação.

Para o Presidente da Dow para a América Latina e Dow Brasil, Javier Constante, a ação foi alinhada à busca da empresa para que os funcionários enxerguem o voluntariado como um ponto importante para o seu desenvolvimento pessoal".

O primeiro contato, para a ação na Casa da Fonte, foi através da Camila Agostinho e, em seguida, a Ana Paula. Adoráveis as duas. Com visitas e conversas fomos alinhavando a atividade.

No espaço, pintaram e melhoraram os brinquedos de madeira, restauraram a brinquedoteca e a equiparam com brinquedos e jogos educativos novos, restauraram o espaço e organizaram o material de esportes, brincaram com os alunos, fizeram uma entrega voltada à pobreza menstrual...Os livros, doados para a biblioteca, com histórias de princesas, da Carolina do Ziraldo, gibis... O que estava desbotado, ganhou cores. O que estava esmaecido, pela solidariedade que salva, renasceu.

Um dos espaços foi pintado com tinta de lousa, onde os alunos puderam interagir escrevendo o que lhes vinha na hora. Fizeram festa. Alguém escreveu: "Um amor/ Uma vida/ Uma Casa/ Uma Fonte". Diversos colocaram a Casa da Fonte como sua segunda casa.

Os funcionários da Dow, de sorriso largo, olhos com brilho, de dedicação ímpar, respingados de tinta e felizes. Os alunos encantados. Gente que veio de fora e deu a eles a importância que todo ser humano deve ter.

Um dos alunos destacou que a harmonia com quem veio de fora e com todos eles lhe fez bem. Amaram tirar fotos com os funcionários e saber que, de alguma forma, iriam com eles. Coisas da alma. Proximidade de acréscimo.

Ah, e teve um lanche especial com sanduíches, salgadinhos, bolo, picolé! Um dos adolescentes, olhou pelo vitrô do refeitório, entrou na sala de aula e disse, maravilhado, à professora: "Tem uma cereja espetada no pão!"

Cereja espetada no pão foi ímpar, do mesmo modo que as atividades todas.

Lembrei-me da flor de cerejeira com seu significado místico. Uma das explicações para sua origem afirma que a princesa Konohana Sakuya Hime teria caído do céu próxima do monte Fuji, transformando-se na bela flor.

Ao observar a saída dos funcionários da Dow, com as crianças correndo ao encontro deles para abraçá-los e agradecer, constatei que se fizeram, no espaço, floradas de cerejeiras, para cativar os olhos e o coração.

Maria Cristina Castilho de Andrade é professora e cronista


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