Opinião

Nunca uma eleição foi tão importante quanto essa

O cenário é sombrio e o futuro do Brasil, muito incerto


 Arquivo pessoal
Samuel Vidilli
Crédito: Arquivo pessoal

As eleições de 2022 serão decisivas em muitos aspectos. Saberemos, finalmente, se somos uma democracia sólida. Saberemos efetivamente se vamos aceitar os resultados de pleito, independentemente de quem leve.

Um espectro ronda nossas instituições. E não é de agora: há alguns anos, o que parecia improvável aconteceu com a queda de Dilma Rousseff, a consequente prisão de Luiz Inácio Lula da Silva (primeiro colocado nas pesquisas eleitorais de 2018), seguida de sua libertação, anulação dos julgamentos e processos, culminando com o pior dos cenários: a vitória do atual presidente da república.

Um ser que sempre duvidou do funcionamento do sistema de urnas eletrônicas, da justiça, colocando em xeque todo o método eleitoral. Um homem que diz ter acabado com a corrupção, mas que exonera e afasta quem incomoda quem quer que seja de sua família (o melhor exemplo disso é que ele fez questão de exonerar um fiscal do Ibama que o proibiu, nos idos de 2012, de pescar em área de proteção ambiental; foi um dos primeiros atos do presidente que iria fazer tudo diferente). Um capitão que tem um enorme desejo de fazer do bolsonarismo o símbolo do conservadorismo no Brasil, mas nunca será (até porque nem sabe o que significa de fato ser um conservador. Nunca deve ter sequer folheado um livro de Burke ou até mesmo os de Olavo de Carvalho, o pensador que influenciou e ainda influencia tantas pessoas que não conseguem encontrar respostas aos seus anseios nem no bolsonarismo - graças a Deus - e nem no centro - grupo político legítimo que no Brasil, lamentavelmente, se tornou sinônimo de oportunistas - ou muito menos na esquerda - histórica, caviar ou extrema).

Essa pessoa, que perde em todas as pesquisas eleitorais, não se mostra muito à vontade em aceitar resultados que lhe sejam negativos. Ao contrário. Vende a ideia de que a democracia e a liberdade estão em risco. Às vezes, exagera no discurso apocalíptico, para delírio de seus asseclas.

Mas é justamente ele que põe as nossas instituições em risco. Afinal, presidente que é, pelo cargo que ocupa, representa a personificação da república. Nossa pobre república, tão desacreditada, fruto de um golpe vil e rasteiro dado por uma pequena facção militar positivista no fatídico 15 de novembro de 1889.

O cenário é sombrio e o futuro do Brasil, muito incerto. É fundamental que possamos, todos nós, independentemente da preferência partidária ou ideológica, ter maturidade e compreender que o sistema democrático é assim: permite a ascensão de quem ganhar. Sendo um débil ou não. Quem ganha, leva e quem perde, aceita.

A teoria é bem simples. Que a prática também seja. Senão, caminharemos para um terrível caos.

Samuel Vidilli é cientista social, professor e jundiaiense de coração.


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