Opinião

Fora radicalização


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José Roberto Pinheiro Charone
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A iniciação da campanha eleitoral será daqui a aproximadamente quatro semanas, mas a disputa presidencial já está presente há tempos, só que nos bastidores, através de alianças e articulações políticas. Atualmente estamos na temporada das Convenções Partidárias, que é o componente burocrático que vai confirmar os nomes que serão apresentados. A exceção da esfera local que já conhecem os nomes e para qual cargo vão disputar.

A 67 dias do Pleito em primeiro turno, a temperatura das eleições ainda é baixa, considerando que oficialmente os candidatos só podem requisitar votos a partir do dia 16 de agosto. Na Base Monumental, os vendedores de rua oferecem toalhas, bandeiras e flâmulas dos presidenciáveis, mas nada que aqueça a disputa. Porém, as mais vendidas são as dos candidatos que polarizam as eleições presidenciais: Jair Messias Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Até é possível encontrar adornos com estampas de Simone Tebet e Luciano Bivar, mas tem que procurar.

As pesquisas eleitorais mais atuais publicadas sinalizam grandes possibilidades de segundo turno. A disputa entre Bolsonaro e Lula tem oscilado dentro da margem de erro, seja para mais ou para menos. Todavia, as demais candidaturas rendem votos capazes, como mostram os levantamentos eleitorais, para que a eleição não seja balizada em 2 de outubro.

Entretanto é preocupante a inflexibilidade política que margeia as eleições de 2022. Depois do homicídio ocorrido em Foz do Iguaçu (Paraná), cometido por divergências políticas e o confronto envolvendo o pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSB) e o Deputado Estadual Rodrigo Amorim (PTB), é mais um exemplo de violência de deve ser evitada e combatida na campanha eleitoral.

A conceituada empresa americana de consultoria política EurasiaGroup apresentou recentementeum relatório nessa mesma linha. A avaliação aponta pela uma provável escalada da violência no Brasil" durante as Eleições desse ano. A ameaça será maior, segundo a empresa de consultoria, no interregno entre o primeiro e o segundo turno, com possibilidades reais de protestos radicais e ataques a prédios públicos, além da possibilidade de uma nova greve de caminhoneiros, que também está no alcance do radar.

Discordância política é bem diferente de radicalização, que deve ser evitada e firmemente combatida, tendo em conta que a Democracia é praticada na base do diálogo, do convencimento e do poder da persuasão. Já a violência é uma marca registrada da Ditadura. Aceitar argumentações contrárias, sem violência física, sem ataques e xingamentos a bem da verdade é dever de todo cidadão. Ser bolsonarista, petista, não é crime, é tão somente uma ideologia política. Digno de respeito. Sempre e em todo lugar.

José Roberto Charone é advogado


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