Opinião

As variações econômicas na economia mundial

A economia mundial passa por um processo de indefinições


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Messias Mercadante
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A economia mundial passa por um processo de indefinições, com movimentos ora contraditórios, ora com coerência com a ortodoxia econômica que, em meio às intercadências dos números que, normalmente, norteariam uma tendência efetiva para o presente e o futuro próximo, ao contrário, deixam em aberto os possíveis caminhos que as economias percorrerão.

É certo que as economias desenvolvidas estão com sérios problemas com a inflação, que atinge níveis maiores, não vistos nos últimos quarenta anos.

Os Estados Unidos com cerca de 9,0% ao ano; a União Europeia com 8,6%; o Japão com aproximadamente, entre 5% a 6%; o Reino Unido com 9,0% e a China com números próximos a 5% ao ano; aqui no Brasil, com cerca de 11,5%.

Outra realidade, é o registro de uma desaceleração global, que indica um baixo nível de crescimento econômico da economia mundial. Os Estados Unidos com 2,0% a 2,5%; a Europa com 1,0%; o Reino Unido com 2,0%; o Japão com 1,0% e a China com desempenho melhor, aproximadamente 4,0%. O Brasil pode crescer 2,0%.

Essa desaceleração econômica, num processo de "causa e efeito", já provocou quedas relevantes nos preços de commodities que influem, tanto na inflação, quanto no crescimento mundial, como podemos verificar a seguir: O barril de petróleo que chegou a US$ 130,00, em fevereiro passado, fechou no dia dezenove deste mês, a US$ 107,23 - uma queda de 17,5%; o minério de ferro que também em abril custava próximo de US$ 146,00, a tonelada, fechou também no dia dezenove deste mês, a US$ 99,05 - uma queda de 32,0%; a soja está sendo negociada no "Mercado Futuro", abaixo de US$ 15,00, 18,0% abaixo do preço em junho passado; o milho, também no "Mercado Futuro", está sendo negociado a US$ 5,88 por Bushel (o equivalente a 27,2 kg), o menor preço nos últimos seis meses.

A queda de preços desses bens exerce uma importante descompressão inflacionária, com reflexos relevantes para a prática da política monetária pelos principais Bancos Centrais das maiores economias que poderão aliviar nos aumentos dos juros, o que beneficiará a economia global e, de certa forma, poderá afastar o risco iminente de uma nova recessão mundial.

No Brasil, considerando a queda nos preços dos combustíveis e da energia, o Banco Central pode manter inalterado os juros de 13,25% ao ano. Outra importante questão a considerar, é que todas às vezes que o FED - Federal Reserve - Banco Central Americano, sobe em degraus maiores os juros para, por exemplo, 3,0% a 4,0% ao ano, como previsto, provoca um abalo nas economias emergentes, que sofrem com a saída rápida de dólares que estavam nos Mercados Financeiro e de Capitais em suas economias e provocam uma acentuada desvalorização cambial, com a valorização do dólar e experimentam pressões inflacionárias com as suas importações.

No caso acima mencionado, os Bancos Centrais aumentam os juros básicos para conter a inflação e tentar reter no País a poupança externa e provocam, além do aumento do custo com o pagamento de juros em suas dívidas do Setor Público, uma retração na atividade econômica, com prejuízos na geração de empregos.

O futuro próximo nos mostrará como as economias caminharão.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia no Unianchieta, Membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresa.


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