Opinião

O medo que faz reféns e paralisa mentes


Arquivo pessoal
Luciano Rocha
Crédito: Arquivo pessoal

Estamos vivendo um efeito pós-pandemia, uma pandemia maior do que a epidemiológica. Nosso problema não está na economia, não está na política. Está nas consequências que o medo gerou na mente das pessoas.

São Paulo é a cidade com maior incidência de transtornos mentais no mundo, atingindo 29,6% da população; sendo que a ansiedade é a mais comum, afetando 19,9% dos paulistanos, apontam dados do Instituto Nacional de Saúde Social. O cenário no mundo não é diferente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada dez pessoas sofre de algum distúrbio de saúde mental.

A saúde mental também impacta na economia. A depressão tem sido a principal causa de afastamento do trabalho no mundo, de acordo com a OMS. As doenças mentais acompanham a humanidade há anos, mas com a pandemia, o cenário se agravou.

Estudos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) apontam que 80% da população brasileira tornou-se mais ansiosa na pandemia; 34% dos fumantes passaram a fumar mais e 17,6% das pessoas aumentaram o consumo de álcool.

As doenças emocionais não caminham sozinhas. Temos de entender que a humanidade enfrenta um problema que está paralisando vidas e que para vencer é preciso buscar ajuda, mas não apenas no medicamentoso.

Como estudioso da mente há dez anos, os tratamentos para as doenças emocionais não devem ignorar a mente, porque as causas emocionais começam com um pensamento. Há uma batalha e o campo dessa batalha é a mente, ela cria verdades que nem sempre são reais. A mente é uma máquina poderosa que trabalha à favor ou contra, depende das influências e crenças.

Precisamos entender as raízes dos conflitos da mente e viver uma vida de paz, independente das circunstâncias. Temos duas vertentes para tratar as doenças emocionais que começam na mente. No Ocidente acentua-se os que creem somente na ciência e buscam a compreensão na razão e no Oriente, que a religião é o caminho, com diversos deuses. Mas há um vale entre essas vertentes, onde devemos buscar tratamento e cura, conciliando ciência e a espiritualidade, compreendendo o passado e as marcas que cada um carrega.

Temos de sair do automático, pensar sobre o que estamos pensando, da onde surgiu esse pensamento, se ele foi sugerido, se é real ou se trata de uma mente preocupada. A mente preocupada está pré-ocupada com algo que não existe e que na maioria das vezes não vai existir, mas que alimentou a ansiedade, a crise de pânico.

Nossas escolhas estão sendo conduzidas por estímulos promovidos pela comunicação e ambiente. São escolhas sem lucidez, escolhas por sugestão, e isso traz consequências e crise de identidade, porque cada escolha deveria ser pessoal, parte do livre-arbítrio e não por massa de manobra.

É comum as pessoas lançarem metas, buscarem sonhos que não fazem sentido para elas, causando transtornos mentais, crises emocionais e de identidade. Pense sobre o que você está pensando. Esse pensamento é real, a situação existe? Da onde veio esse pensamento? Esteja atento! Produza pensamentos poderosos, eles influenciarão o rumo da sua vida e o ajudarão a manter o equilíbrio da sua mente.

Luciano Rocha é estudioso da mente e autor do Livro "Vencendo a Batalha na Mente"


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