Opinião

A padroeira de Jundiaí

Foi seu manto sagrado que acolheu aqui os primeiros colonizadores


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GUARACI ALVARENGA
Crédito: divulgação

Neste dia 15 de agosto comemora-se no sentimento tradicional dos jundiaienses, a sua protetora efetiva desde tempos remotos.

O fundamento bíblico de Nossa Senhora do Desterro registra que, após a partida dos Reis Magos, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a São José e disse:

"Levanta, toma o menino, a sua Mãe e foge para o Egito; permanece lá até que eu te avise, porque Herodes procura o menino para O matar. Levantando-se de noite, ele tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egito". (Mt 2,13-14).

Assim começou a veneração a "Madonna degli Emigrati", tornando-se a padroeira daqueles que foram obrigados a deixar sua pátria.

Foi seu manto sagrado que acolheu e deu guarida aos primeiros colonizadores que aqui chegaram, em 1615. A história nos remete à vinda de Rafael de Oliveira e Petronilha Rodrigues Antunes que, por motivações políticas, fugiram de São Paulo e refugiaram-se nos arredores, fundando a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro, elevada à categoria de Vila em 14 de Dezembro de 1655.

Desde logo, no ano de 1651, quando marcou o início do reconhecimento da povoação de Jundiaí, começou a construção da igreja que substituiria a primeira capela construída, sendo certo que, quatro anos depois, foi elevada à categoria de Vila, em 1655, com nova igreja dedicada à Sagrada Família, tendo como padroeira Nossa Senhora do Desterro.

Construída em taipa de pilão, possuía tendências arquitetônicas da época barroco-portuguesas. Marco histórico da cidade, esta igreja foi remodelada em 1886, por projeto do famoso arquiteto paulista Ramos de Azevedo. Passou por grande reforma e teve totalmente alterado seu estilo, que resgatou as características do estilo gótico, surgido na França entre os séculos 12 e 14, considerado como "a arte das Catedrais".

Carregado de simbolismo teológico, cada detalhe em seu estilo, busca expressar a grandiosidade da vida divina: tudo se volta para o alto, em direção aos céus e a Deus.

Seu teto de abóbodas ogivais, suas paredes com as marcantes pinturas do artista plástico italiano Arnaldo Mecozzi, seus afrescos bíblicos, os belos vitrais, o acervo de esculturas, tudo, além do valor artístico, tem seu maior patrimônio na paixão que a comunidade jundiaiense devota a sua Catedral.

Sagrados Bispos enriqueceram sua divina história: Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, Dom Roberto Pinarelo Almeida, Dom Amaury Castanho, Dom Gil Antonio Moreira, Dom Vicente Costa.

Esta devoção popular foi promovida pelo acolhimento que sempre foi a fonte de inspiração desta Igreja. Afetuoso, cordial, paciente, festivo, principalmente aos doentes, necessitados, marginalizados e carentes de fé.

Basta um olhar para alicerçar a fé em Deus, acreditar e confiar. Nossa Catedral reforça, em sua religiosidade, as palavras do Papa, em que todos devem ser tratados como um hóspede, um familiar, para que tenham a felicidade de se sentirem compreendidos e amados. Neste caminho da fé, os fiéis se irmanam, como numa romaria, na força do afeto e do amor, mãos dadas, em poder agradecer, numa só prece, toda a graça divina recebida por intercessão de Nossa Senhora do Desterro. Que assim seja.

GUARACI ALVARENGA
é advogado.


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