Opinião

Pilares de autoestima e amor próprio

A forma como nós nos percebemos define como nós nos relacionamos.


 Arquivo pessoal
Marcia Pires
Crédito: Arquivo pessoal

Porque não basta olhar-se no espelho e se sentir belo. Mesmo sendo um tema bastante amplo, alguns dos motivos pelos quais considero de extrema importância falar sobre autoestima e amor próprio é o fato de que, ainda que algumas pessoas admitam e outras não, é impossível nós sermos indiferentes ao conceito que nós fazemos sobre nós mesmos. Não se consegue fugir disso. A forma como nós nos percebemos define como nós nos relacionamos. Com as outras pessoas e com todos os nossos meios sociais. E também com o nosso corpo e até com a nossa espiritualidade.

Para entender melhor os fatores que constituem uma autoestima e que levam ao caminho da verdadeira essência do amor próprio, vamos entender primeiro aquilo que não é autoestima.

Não é sobre me achar bonita ou bonito. Isso é autoimagem corporal, uma avaliação positiva de nós mesmos. O que por si só é algo muito importante, claro, mas autoimagem se constitui apenas em um fator concomitante na construção de um caminho pessoal, mas ela por si só não define a nossa autoestima.

Tão pouco autoestima é sobre ter o carro do ano, o melhor emprego, o cônjuge mais belo, a casa X, necessidade de validação através de status social e poder para se sentir amado pelo outro.

Uma informação técnica aqui. Em 2019, o buscador virtual mais famoso do mundo divulgou uma lista dos temas mais pesquisados em sua plataforma no Brasil, durante aquele ano. Tratou-se de uma lista na categoria de perguntas começava com 'como fazer'. A pergunta 'como fazer com que as pessoas gostem de mim?' ficou em terceiro lugar. Perdeu apenas para 'como fazer ovos de Páscoa?' e 'como fazer inscrição do ENEM?'. Esse é dado muito importante se considerarmos que estamos falando da plataforma de buscas mais utilizadas no mundo. Em nossa cultura a necessidade de aprovação é extremamente estimulada.

Nathaniel Branden (1930-2014), escritor e psicoterapeuta canadense-americano, com mais de quarenta anos de estudos e prática clínica sobre o tema, propõe em sua obra 'Os seis pilares da Autoestima' o que sugere como seis práticas, atitudes diante da vida que juntas irão compor o processo de se chegar ao amor próprio. São eles: viver conscientemente, praticar a autoaceitação, praticar a autorresponsabilidade, praticar a autoafirmação, praticar a intencionalidade, praticar a integridade pessoal.

Por essa lente, amor próprio poderia ser, então, a capacidade de dar conta dos desafios que a vida nos propõe. Uma busca pelo caminho que leva a nos sentirmos completamente à vontade para sermos quem somos, assumindo e acatando nossas imperfeições, mesmo as que mais não suportamos em nós.

Pensar, sentir, ter confiança no direito de vencer e dignos de realizar e usufruir do que a vida nos oferece.

Trabalhar o nosso autoconhecimento para que possamos não mais comparar o nosso bastidor com o palco das outras pessoas.

Não existe manual, não existe passo a passo ou fórmula mágica como tentam, aos montes, nos vender todos os dias. Existe processo. Cada ser possui o seu próprio e único. E ele é doloroso. Porém mergulhar nele vertical e intensamente é, na mesma proporção, libertador.

Márcia Pires é Sexóloga, especializada em felicidade no trabalho e Gestora de RH.


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