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Cenário de horrores

JOSÉ RENATO NALINI | 26/12/2019 | 08:15

Quando se pensa que o mundo não pode ficar pior, aí é que vem a surpresa: pode sim! A lucidez é outro ingrediente em falta na humanidade do século 21. Nem se fale aqui no Brasil, com incêndios programados, teoria da conspiração que acusa as ONGs de serem contrárias à tutela ambiental, argumenta-se com a destruição das florestas como um fato “cultural”!

É de pasmar ouvir que se a carne está cara, é porque a Amazônia tem muitos parques, reservas indígenas e áreas protegidas. Impõe-se o desmatamento, para que a cobertura vegetal restante se converta em pasto.

Alguém se preocupou em aferir qual a quantidade de pastos abandonados, de terras que precisariam ser reaproveitadas e isso potencializaria a agroindústria, sem que fosse necessário o corte de uma só árvore?

Mas a notícia terrível é a de que seria necessário reduzir a emissão dos gases do efeito-estufa em 7,6% ao ano, entre 2020 e 2030, para cumprir o Acordo de Paris.

Mais uma advertência da ONU para os surdos esquizofrênicos, suficientemente ignorantes ou em deliberada má-fé, de que o mundo tem de tomar medidas radicais, senão será vítima de uma catástrofe climática incontornável.

O ano passado foi tenebroso. Novo recorde na emissão de 55,3 gigatoneladas de CO2, o venenoso gás carbônico. A temperatura do planeta aumentará 4 graus centígrados até o fim do século.

A Conferência COP25 em Madri deste dezembro é mais uma tentativa inócua, agravada com o fiasco de que somente 5 países tomaram providências para o cumprimento do que acordaram. Os maiores poluidores do oxigênio planetário não cumprem a promessa: Estados Unidos e Japão.

A proibição de novas usinas de carvão na China é algo recomendável. Mas quem acredita que isso será atendido?

A Europa toma a dianteira e proclama a gravidade da situação, mostrando que o termo final já foi ultrapassado. É praticamente impossível refrear a destruição. Triste destino de uma espécie animal arrogante, prepotente e egoísta. Considera-se racional, mas comete as mais surreais dentre as irracionalidades. Prefere o suicídio a reprimir sua volúpia consumista. Pior: levará os inocentes com ela, aqueles que nunca terão oportunidade de apreciar o quão exuberante foi a natureza terrestre.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral e docente da Uninove


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