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O que é o Fórum de Davos?

MIGUEL HADDAD | 26/01/2020 | 07:00

Fundado em 1971 pelo renomado economista suíço Klaus Schwab, o Fórum de Davos está agora na sua 50ª edição. A pauta do encontro é definida a partir de um Relatório dos Riscos Globais, baseado numa pesquisa prévia, realizada com 800 lideranças políticas, econômicas, científicas e sociais que são membros do Fórum.
Com o passar do tempo, duas questões foram ganhando relevo nessa pesquisa até tornarem-se centrais:

1)A brutal concentração de renda: segundo pesquisa feita pela Oxfam – uma organização da sociedade civil presente em 90 países – de toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% foi parar na mão do 1% mais rico do planeta, enquanto a metade mais pobre da população global, 3,7 bilhões de pessoas, não ficou com nada.

2)O aquecimento global, cujos efeitos já estão afetando o planeta no presente, de forma inequívoca, podendo, se não for contido com urgência, provocar uma mudança no clima terrestre que se tornaria mais hostil, a ponto de afetar o próprio processo civilizatório.

Como resposta ao primeiro item do relatório – a extraordinária concentração de renda – a solução apresentada no Fórum foi uma radical mudança profunda na orientação das empresas que atualmente funcionam exclusivamente em função do interesse de seus acionistas: a proposta é incluir, no mesmo nível dos acionistas, interesses sociais, como a preservação do meio ambiente e a diminuição da desigualdade. Várias corporações multinacionais, pressionadas por consumidores, já estão realizando essas mudanças.

Um exemplo da força dessa atitude é o recuo do Governo Brasileiro na Amazônia em função de pressões do mercado.

Na questão do meio ambiente, o objetivo também é igualmente ousado: substituir a matriz energética mundial, baseada largamente em combustíveis fósseis – principais responsáveis pelas mudanças climáticas – por uma nova matriz que inclua fontes renováveis de energia, como energia solar, entre outras.

É claro que muitos duvidam se essas medidas serão de fato implementadas, mas não dá para ignorar as crescentes manifestações mundiais de insatisfação com o modelo econômico atual, que têm causado a queda de muitos governos, assim como, por outro lado, os efeitos cada vez mais danosos da mudança no clima global, que já afeta a vida no presente e se aproxima, se nada for feito, do chamado “ponto de não retorno”, a partir do qual não será mais possível conter os seus efeitos devastadores.

Ninguém pode afirmar que essas mudanças serão mesmo implementadas. Mas uma coisa é certa: o instinto de sobrevivência sempre fala mais alto.

MIGUEL HADDAD é deputado federal


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