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A amizade: dom de Deus

DA REDAÇÃO | 07/04/2019 | 07:30

“Amigo fiel é poderosa proteção: quem o encontrou, encontrou um tesouro” (Eclo 6,14).
Falar de amizade não é algo tão simples, uma vez que os amigos são pessoas escolhidas a dedo e com as quais nós podemos nos relacionar de forma mais sincera, próxima e confidencial.
É bom, todavia, considerarmos a importância da amizade para a vida do ser humano. Como afirma a passagem bíblica citada acima, podemos ter a certeza de que um amigo verdadeiro é, realmente, um grande tesouro. Ora, “é melhor estarem dois juntos do que um sozinho: (…) se um cair, será apoiado pelo outro” (Ecl 4,9-10).
Muitas vezes, no dia a dia, encontramos obstáculos, dificuldades e provações que nos experimentam arduamente, nos esgotam as forças e drenam o nosso ânimo, a nossa alegria de viver. Isso é muito grave. Nessas situações, se estivermos sozinhos, será bem difícil prosseguir. Isso porque a presença de alguém de confiança, com quem se pode desabafar, trocar ideias, pedir ajuda ou, ao menos, estar junto, motiva e anima a nossa caminhada. Olhemos para o exemplo de Jesus Cristo: quando Ele se viu diante de uma profunda agonia, chamou amigos para que lhe fizessem companhia (cf. Mc 14, 32-36). Jesus era sempre seguido por centenas de pessoas, mas escolheu doze (os Apóstolos) para que ficassem mais perto dele e, ainda, dentre os doze, notamos sua predileção por três deles: Pedro, Tiago e João.
Amigos são ombros, como dizemos, sobre os quais podemos apoiar-nos quando precisamos. Entretanto, sua presença não é benéfica apenas para os momentos de dor e sofrimento. Quem está junto na dor, também se faz presente na alegria. Como é bom poder festejar o dom da vida e tantas graças recebidas por nós de Deus, na presença de pessoas que, na sinceridade do coração, se alegram com a nossa alegria!
A vida presenteia-nos sempre com dádivas especiais. Os amigos, certamente, são uma dessas grandes dádivas da nossa vida. Aliás, quantos matrimônios e quantas famílias não surgem de amizades sinceras? A confiança por tal pessoa pode chegar a ponto de brotar um “sentimento novo”, que, na verdade, não é tão novo assim. Trata-se do amor, que sempre é novo, criativo e imprevisível. O que muda é apenas a maneira de expressá-lo.
Quem encontra um amigo, encontra um tesouro. Deixemos o amor de Deus irradiar em nós de tal forma que transborde nas nossas relações humanas. E que aqueles que estão mais próximos de nós, nossos familiares e amigos, sejam sempre a nossa fortaleza e nosso ânimo, pois eles são sempre presença do amor divino em nossa vida para o nosso bem.

DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí.

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