Opinião

A escolha de um secretário


Quando João Doria foi eleito prefeito de São Paulo, eu estava à frente da Secretaria da Educação do Estado. Sua ligação com o Governo Geraldo Alckmin era bastante próxima. Telefonou-me, com a gentileza que o caracteriza, e disse: "na falta de um Nalini para a Secretaria da Educação do Município, como seria meu desejo, quem você recomendaria para esse cargo?". Por conhecer o prefeito, que já me entrevistara mais de uma vez e me convidara para inúmeros encontros do grupo Lide, inclusive para jantares em sua casa, comecei a cogitar qual o perfil ideal. Por saber do tino empresarial de Doria, pensei em Eduardo Saron, responsável pelo Instituto Itaú Cultural, Danilo Santos Miranda, um case de sucesso no SESC, Mansur Bassit, da Câmara Brasileira do Livro ou Beatriz Leonel Scavazza, da Fundação Vanzolini. Uma novidade ao gosto de Doria seria entregar a educação paulistana a Ana Maria Diniz, com a expertise da Parceiros da Educação ou seu marido Luiz Felipe D'Ávila, um dos idealizadores da Casa do Saber. Se ele quisesse ex-prefeitos, lembrei-me de João Cury Neto, de Botucatu e Marco Bertaiolli, de Mogi das Cruzes. Alvitrei a solução doméstica e que prestigiaria Geraldo Alckmin: Francisco José Carbonari. Fora secretário da educação em Jundiaí, presidente do Conselho Estadual de Educação e, à época, secretário adjunto da Secretaria da Educação do Estado. Mozart Ramos, do Airton Senna, cogitado para ser Ministro de Bolsonaro e que se recusou a ser secretário do município, indicou Antonio Neto, que respondera pela educação do Rio de Janeiro. Acabou prevalecendo a indicação de José Serra: Alexandre Schneider. Fora a proposta do senador para substituir o secretário Herman Voorvald, quando da crise em fins de 2015 e início de 2016. Todos quadros qualificados, evidência de que há muita gente experiente para tornar a administração pública afinada com as exigências da contemporaneidade. Eleito governador, João Doria preferiu fixar suas escolhas em pessoas que já haviam exercido funções federais, como o atual secretário Rossieli Soares da Silva, gaúcho que já foi secretário da educação no Amazonas e ministro no governo Michel Temer. JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras - 2019-2020.

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