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A Maldição do Tamanho

JOSÉ RENATO NALINI | 10/02/2019 | 04:30

Esse é o nome do livro que Timothy Wu escreveu em inglês, cujo nome original é “The Curse of Bigness”. Ele é professor de direito na Universidade de Columbia e analisa o exagerado crescimento de grandes conglomerados empresariais. Para ele, isso coloca em risco a Democracia.
Para desenvolver sua tese, contempla a vida de Louis Brandeis, juiz da Suprema Corte, ativista e reformista. Nasceu em Louisville, cidadezinha norte-americana de porte médio, idílica e livre da “maldição do tamanho”. Foi exercer a advocacia em Boston, na fase em que empreendedores como John D.Rockfeller e J.P. Morgan já edificavam seus impérios mais poderosos do que o governo. Não era incomum que o governante fosse aliado dos magnatas. O Presidente William McKinley dizia que a economia americana era administrada por Wall Street, não por Washington.
Brandeis resolveu enfrentar o monopólio e o truste e foi bem sucedido. O resultado foi que Theodoro Roosevelt adotou a orientação resultante do processo movido por Brandeis, que acusava as empresas de privar as pessoas de sua humanidade. Elas limitavam a capacidade dos indivíduos para trabalhar, concorrer e chegar ao sucesso de forma autônoma e não como capacho das gigantes de cada setor.
Isso durou até à década de 60. Foi então que tomaram conta da doutrina que se instalou no poder os acadêmicos conservadores da Escola de Chicago. Eles não partilhavam da opinião de que o poder excessivo fosse um mal para a livre iniciativa do sonho ianque.
Por isso é que o combate aos trustes se tornou simbólico. Desde que as empresas reduzissem o preço, poderiam crescer o quanto quisessem. O resultado foi a concentração de poder no setor do transporte aéreo, mídia, remédios e outros. O crescimento não encontra precedentes na História americana.
Mas a verdadeira ameaça à democracia é o monopólio exercido pelo Google, Facebook e Amazon. Sozinhas, detêm todos os dados sobre todos os indivíduos. Os algoritmos manipulam a opinião pública, mobilizam, controlam e acabam por fazer o que elas querem. O governo passou a ser um símbolo que delas depende, em papel subalterno e figurante. Onde foi parar a ideia de soberania estatal? Foi deletada.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove e autor de “Ética Geral e Profissional”,
13ª ed., RT-Thomson, consultor jurídico e jornalista.

JOSE RENATO NALINI


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