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A República Oriental do Uruguai

FABIO JACYNTHO SORGE | 27/08/2019 | 07:30

Na última semana, visitei a República Oriental do Uruguai e posso afirmar que gostei bastante do país e mais ainda, pude aprender um pouco mais sobre História, o que sempre é muito bom. Tento, sempre que possível, agregar conhecimento às minhas viagens.

O país tem esse nome, porque é a porção de terra localizada a leste do Rio Uruguai, a chamada Banda Oriental.

Uma primeira coisa a ser observada é que entre os países de língua hispânica que já visitei, o Uruguai foi o que tive maior facilidade para a comunicação. Como não falo espanhol de modo fluente, como o meu amigo Glauco Gumerato Ramos, com quem tenha a satisfação de dividir esse espaço em terças-feiras alternadas, isso foi um grande facilitador. Não sei se pela proximidade com o Brasil, mas o fato é que os uruguaios entendem várias expressões em português e normalmente falam de um modo pausado, o que torna a comunicação tranquila, além disso, são muito gentis e educados.

Fiquei por lá, durante cinco dias e comecei a viagem por Montevideo. A dimensão do Rio da Prata me surpreendeu, pois ele se parece com o mar. Há uma “orla” de vários quilômetros que vai margeando-o, dando a impressão que estamos em uma cidade litorânea.

Começamos com a Praça da Independência, na qual estão os restos mortais de José Gervasio Artigas, considerado o libertador do país. É interessante observar que na verdade, o General Artigas não venceu a Guerra de Independência, travada contra Portugal em um primeiro momento e depois com o então Império do Brasil. Na verdade, ele foi derrotado em 1820 e partiu para o exílio no Paraguai, onde morreu 30 (trinta) anos depois. Talvez, tenha se tornado mais famoso que o libertador Juan Antonio Lavalleja, pelo exemplo de luta. Aliás, esse é um ponto interessante sobre os países hispânicos em geral, há uma valorização profunda dos libertadores e um sentimento de nacionalismo maior do que o nosso.

Acho que isso é importante, pois às vezes, penso que somos hipercríticos com o Brasil.
Estive também na Colônia de Sacramento, fundada pelos portugueses em 1680 e que foi o ponto da discórdia entre Portugal e Espanha por séculos, e depois passou a ser para Brasil, Argentina e Uruguai, durante todo o século XIX. De fato, impressiona que os lusitanos tenham fundado uma Colônia tão perto de Buenos Aires, Capital do Antigo Vice-Reinado do Prata, já que estão separados por poucos quilômetros. Aliás, foi interessante aprender sobre a disputa que originou a “nossa” Província Cisplatina e estranho ver o Brasil ocupando o papel de “colonizador”, bem como uma independência declarada do nosso país. Enfim, vale pela lição de História.

Em conclusão, teria muito mais a dizer, mas posso assegurar que a República Oriental do Uruguai é um interessante lugar para ser conhecido e visto, uma excelente opção de viagem e olha que sequer citei os vinhos e o churrasco.

FABIO JACYNTHO SORGE é defensor público do estado de São Paulo e coordenador da Regional de Jundiaí.

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí


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