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A respiração e o estress

LICIANA ROSSI | 22/02/2020 | 07:30

A respiração afeta os sistemas respiratório, cardiovascular, neurológico, gastrointestinal, miofascial (músculos e fáscias) e toda a parte psicoemocional. Influencia também no nosso sono, memória, concentração e nos níveis de energia (vitalidade). Tudo aquilo que fazemos – a paz que buscamos, nossos sentimentos, percepções, escolhas e clareza mental – é influenciado pelo ritmo respiratório.

A explicação resumida para toda essa influência vem do nosso sistema nervoso autônomo, já que respirar é uma ação involuntária. Tudo acontece no centro respiratório: um centro nervoso localizado no bulbo cerebral que, em condições normais, produz a cada cinco segundos um impulso nervoso que estimula a contração da musculatura torácica e do diafragma, fazendo-nos inspirar, absorvendo o oxigênio e depois liberando o gás carbônico através da expiração. Porém, este centro respiratório pode ser excitado por inúmeros fatores, como o estado de estresse, que aumenta a frequência e a amplitude da respiração.

A maioria das pessoas respira de forma curtinha e acelerada, induzidos pelo estresse: o que acaba aumentando as tensões dos músculos torácicos e do diafragma, bloqueando a região abdominal e inibindo o movimento completo do diafragma, o que aumenta o ritmo e diminui a amplitude respiratória, resultando na famosa respiração curtinha, que pode gerar tensão crônica, problemas digestivos, ansiedade e aumento do estresse. Isso pelo porque, neurologicamente, o estado físico/mental e a respiração influenciam um ao outro.

Quando me encontro em estado de calma, tudo funciona bem. Mas se entro num estado onde a respiração é acelerada pelo estresse, e torno este padrão de respiração curta como o natural, a longo prazo isso pode causar uma cascata fisiológica, bioquímica e energética. Isso ocorre porque o nosso corpo acaba liberando hormônios do estresse como cortisol e adrenalina o tempo todo, o que nos prepara para um estado conhecido como “luta ou fuga”, aumentando a tensão muscular e o gasto energético. A respiração curta e acelerada induz o sistema nervoso a este estado de alerta, piorando ainda mais o estresse e a ansiedade.

Já as respirações profundas (diafragmáticas) fazem exatamente o oposto: utilize-as ao longo do dia, em qualquer lugar. Respire expandindo todo abdômen, as costelas, peito, elevando as clavículas e sinta essa expansão durante a inspiração. Depois solte o ar lentamente. Se quiser treinar a respiração, realize um ciclo: inspire 6 segundos, retenha por 6, expire também em 6, retenha sem ar por mais 6 e recomece. Repita quantas vezes quiser. Após alguns minutos sentirá a calma te envolvendo novamente e o retorno da vitalidade. Muita saúde a todos.

LICIANA ROSSI é educadora física formada pela ESEF Jundiaí; pós-graduada em treinamento físico pela Unicamp e ginástica corretiva pela FMU-SP; exercícios corretivos pela Academia Nacional de Medicina Esportiva – NASM/USA; CHEK Practitioner nível 2 Califórnia/USA; Holistic Life Style Coach/CHEK Institute/USA.


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