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A tragédia da fome

FÁBIO JACYNTHO SORGE | 30/07/2019 | 07:30

O Brasil vive uma tragédia quando se fala em fome e desnutrição. Ainda somos um país com milhões vivendo em situação de pobreza e também na mais absoluta miséria. E essas pessoas passam fome e não são poucas.

Para se ter uma ideia, segundo o IBGE, em números relativos a 2017, há 54,8 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza, dos quais 25,5 milhões vivem no Nordeste. Já na situação de pobreza extrema vivem 15,3 milhões de pessoas, ou seja, 7,4% da população.

Segundo o IBGE, é considerada em situação de extrema pobreza quem dispõe de menos de US$ 1,90 por dia, o que equivale a aproximadamente R$ 140 por mês. Já a linha de pobreza é de rendimento inferior a US$ 5,5 por dia, o que corresponde a cerca de R$ 406 por mês. Esses patamares foram definidos pelo Banco Mundial, para acompanhar a pobreza global.

Extrema pobreza é não ter dinheiro para atender despesas alimentares, ou seja, não ter dinheiro suficiente para comprar comida.

Relatório do Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe 2018, divulgado em novembro pela ONU, mostrou o crescimento da fome no Brasil. O estudo estimou que a desnutrição alcançou até 5,2 milhões de brasileiros entre 2015 e 2017.

Por tudo isso, causa choque a frase do Presidente da República, Jair Bolsonaro de que “Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira. Passa-se mal, não come bem. Aí eu concordo. Agora, passar fome, não. Você não vê gente pobre pelas ruas com físico esquelético como a gente vê em alguns outros países por aí pelo mundo”.

É verdade que a fome no Brasil não foi causada pelo atual Governo que tomou posse há apenas 6 (seis) meses, com o país em uma situação de grave crise econômica.

Todavia, é preciso que todos os Governos ao assumirem a administração do país, tenham consciência dos graves problemas da pobreza, da miséria e da subnutrição e busquem a criação de política públicas para elimina-los, ou ao menos, diminui-los.

A postura de avestruz tomada pelo Presidente da República só piora as coisas, como também a negação do óbvio. O que se espera do mandatário da Nação é que tenha a humildade de reconhecer os graves problemas pelos quais o país passa e trate de resolve-los. E nessa ordem de coisas, a fome e a miséria devem estar no topo das prioridades.

Mais do que brigar com os jornalistas que o indagaram sobre o tema, o presidente poderia e deveria dizer quais são as políticas que o Governo dele irá implementar para diminuir a fome e miséria e quais são os resultados que ele espera. Diferentemente do que Bolsonaro disse, isso não é populismo, mas um mínimo de respeito que Estado Brasileiro tem de ter pelos seus cidadãos, especialmente pelos mais pobres.

Afinal de contas, para quem vive a tragédia da fome, o que mais se tem é pressa por uma solução.

FÁBIO JACYNTHO SORGE é defensor público do estado de São Paulo e coordenador da Regional de Jundiaí.

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí


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