Opinião

A vida de Buda II

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MONJA KELSANG CHIME ARTICULISTA COLUNISTA
Crédito: divulgação

O Príncipe Sidarta às vezes visitava a capital do reino dos Shakyas, seu pai, para ver como o povo vivia. Durante tais passeios, entrou em contato com muitos idosos e doentes, e certa vez viu um cadáver. Esse encontro deixou uma forte impressão na sua mente, levando-o a perceber que todos os seres vivos, sem exceção, estão condenados a experimentar os sofrimentos do nascimento, da doença, do envelhecimento e da morte. Por compreender as leis da reencarnação, ele também entendeu que tais acontecimentos não acontecem uma vez, mas se repete vida após vida, sem cessar. Percebendo que os seres vivos estão presos nesse círculo vicioso de sofrimento, o príncipe sentiu profunda compaixão por todos eles e desenvolveu um sincero desejo de libertá-los. Sidarta viu, com clareza, que só alguém que se livrou de toda falha e elevou ao máximo todas as boas qualidades possui a sabedoria e o poder necessário para ajudar todos os seres vivos, sem exceção. Então, decidiu sair do palácio e se recolher na solidão da floresta para se empenhar em profunda meditação até encontrar um estado mental livre das obstruções, delusão e à onisciência, alcançando assim a Iluminação. Ao perceber que o príncipe pretendia deixar o palácio, o povo do reino Shakya, que amava seu príncipe, na esperança de fazê-lo mudar de ideia, sugeriu ao rei que lhe arranjasse um casamento. O rei assentiu e não demorou a encontrar uma noiva condizente com a posição do príncipe. A jovem era de uma respeitável família do reino dos Shakyas, e seu nome era Yasodhara. Sidarta viu que tinha uma forte ligação com Yasodhara, até de vidas passadas. Ele realmente amou sua esposa, mas ele manteve inabalável sua decisão de deixar o palácio e alcançar a iluminação para o benefício de todos os seres. Ele não alimentava nenhum apego pelos prazeres mundanos, pois aprendera que objetos de apego são como flores venenosas: inicialmente parecem atraentes, mas por fim originam grande dor. Contudo, para satisfazer a vontade do pai e proporcionar benefício temporários ao povo Shakya, Sidarta aceitou casar-se com Yasodhara. Ele continuou no palácio e dedicou todo tempo e energia para servir seu povo da melhor maneira que podia. Aos 29 anos, o príncipe teve uma visão na qual todos os Budas nas dez direções lhe apareceram e falaram com ele em uníssono: "Anteriormente tomaste a decisão de se tornar um Buda Conquistador, para ajudar todos os seres vivos, prisioneiros do ciclo de sofrimento. É chegada a hora de cumprir sua promessa." O príncipe dirigiu-se imediatamente à presença dos pais e contou a eles sua intenção: "Desejo recolher-me a um lugar tranquilo na floresta, onde possa me empenhar em profunda meditação e rapidamente alcançar a plena iluminação. Então serei capaz de recompensar a bondade, de todos os seres vivos especialmente a vossa meus pais. Por essas razões solicito vosso consentimento para deixar o palácio”.

GEN CHIME é monja budista


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