Opinião

José Renato Nalini: Alma ressurecta


Aleluia! É domingo de Páscoa. Termina a quaresma, porém nada indica que se possa encerrar a quarentena. Ainda restam dúvidas e temores sobre o novo coronavírus (covid-19). Mas a maior parte dos brasileiros levou a sério a necessidade de confinamento. A celebração deste domingo é mais importante ainda do que o Natal. O nascimento do Messias foi a promessa de redenção da humanidade. Mas a ressurreição do Cristo é o testemunho de que ela é verdadeira e que vale a pena ser cristão. Paulo, nome adotado pelo perseguidor Saulo de Tarso, não conviveu com Jesus. Era um incréu, inclemente no combate à seita que transtornava os judeus e começava a ganhar espaço. Quando tem a revelação, no célebre episódio em que ouve a voz do Alto "Saulo, Saulo, por que me persegues?" e fica cego, converte-se no mais ardoroso dos cristãos. É dele a afirmação que hoje se torna matéria relevante de reflexão: se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé! Observar os mandamentos só tem sentido se houver outra vida, em tudo superior a este miserável estágio neste minúsculo planeta. Cristo venceu a morte. Mais do que isso, quando em vida humana ressuscitou Lázaro, seu amigo, enterrado havia quatro dias e também a filha de um pagão. Prometeu que voltaria a cumprir as escrituras, e voltou. Quem testemunhou o inexplicável teve razão em se tornar tão crente, que passou a viver à espera do retorno do Messias. A tendência anarquista dos primeiros cristãos foi fenômeno com o qual o mesmo Paulo se preocupou. Quem poderia precisar o momento dessa volta de Cristo à Terra? Por isso, incumbe aos verdadeiros cristãos procurar levar sua vida terrena da melhor forma possível, não pretender desvendar os insondáveis desígnios do Criador. Neste 2020, em plena tragédia da peste, a Páscoa deve ensejar ao menos uma ressurreição da alma. Uma alma rediviva, impregnada de amor ao próximo, de humilde reconhecimento de que somos frágeis e finitos, e de que esta passagem efêmera desmerece o excessivo e inútil valor que a ela tantos de nós devotamos. Talvez seja a ocasião propícia para que o homem novo substitua o rançoso, carcomido e egoísta homem velho. Seria a veraz renovação da face da Terra. Boa Páscoa a todos! JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras - 2019 - 2020

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