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Antes que o ano fique velho

VÂNIA MUGNATO DE VASCONCELOS | 19/01/2020 | 05:00

Antes que o ano fique velho, é indispensável iniciar a construção daquilo que deve ser realizado e deixar de protelar a realização do necessário; parar com as desculpas vazias, com as tentativas de justificar o injustificável e de desistir antes fazer todo o possível para atingir seu objetivo.

Antes que o ano fique velho, é preciso aproveitar as oportunidades e experiências disponíveis, evitando arrependimentos futuros e que a culpa corroa a mente e a alma do corpo que está perdendo vitalidade a cada dia.

Antes que o ano fique velho, antes que o amor se esgote por ter sido tantas vezes agredido ou ignorado, antes que os caminhos se separem com a mudança, pela doença, pela morte, pela briga que machucou demais, pelo casamento ou pelo divórcio. Antes que aconteça o que nunca pensamos que se aconteceria em nossas vidas.

Antes que o ano fique velho, é imperioso tirar os projetos da gaveta, reabrir o caderno de anotações, parar de fingir que está tudo bem e arregaçar as mangas no trabalho útil. É necessário se desacomodar.

Tudo seria mais simples se prestássemos atenção àquela pequena dica da natureza que nos mostra, num olhar rápido para a própria mão, que, ao apontarmos um dedo para alguém, os outros dedos apontamos para nós mesmos.

Afinal de contas, quase sempre os problemas nascem primeiro nas nossas próprias decisões e atitudes. Recordo da senhora que adoeceu por ter passado a vida inteira desfrutando de um vício que lhe arruinaria a saúde e que, alertada, disse “quando o problema chegar me preocuparei.”

Lembro também de uma alegoria de autoria desconhecida, sobre certo homem ter observado, em um posto de gasolina, um cão ganindo dolorosamente; preocupado, questionou o frentista do posto sobre o que ele tinha. Soube então que o cão estava deitado em cima de um prego. Surpreso, o homem quis saber o motivo do cão não sair de cima do objeto, ao que o frentista sabiamente respondeu “porque o prego ainda não o machucou o bastante”.

Não precisamos esperar pela dor. Antes que o ano fique velho, podemos fazer diferente, realizar, mudar de conduta, voltar a projetos esquecidos. Antes que o ano fique velho, antes que o tempo passe, que a vida cobre seu tributo, antes que o prego machuque demais e a morte, a incompreendida amiga, venha buscar mais uma alma sem paz porque ainda não fez tudo que podia.

VÂNIA MUGNATO DE VASCONCELOS é advogada, articulista e palestrante espírita


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