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Antes tarde do que nunca

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 04/06/2020 | 04:50

O sucesso relativo no combate ao covid-19 passa pela não politização da doença. É o que ensina o estado do Paraná. O governador Ratinho Junior (PSD) não interviu a administração dos prefeitos e não protagonizou shows diários de auditório em nome da ciência e da medicina.

O Paraná é o quinto estado em habitantes, mas só o décimo oitavo em número de infectados. Com média de 35% das UTIs ocupadas, tem taxa de mortalidade muito abaixo da média nacional: nove mortos para cada milhão de habitantes. Com um governo estadual pró ativo, deixaram a administração dos municípios aos prefeitos, de fato quem realmente tem condição de particularizar a guerra contra o covid-19.

O governador Ratinho Junior definiu diretrizes claras e negociadas e insistiu que seguissem todas as orientações sanitárias com supervisão das autoridades da saúde. Dessa forma, conseguiu equilibrar saúde com a indústria e o agronegócio, colocados entre as atividades essenciais, e assim o estado do Paraná trouxe reflexos positivos na economia,

A Ferroeste e os portos no Paraná, por exemplo, fecharam em abril com as maiores movimentações da história em um mês. Está provado que inteligência é mais eficiente que ideias de ditadores com projetos mesquinhos e individuais como o que Doria estabeleceu desde março e manteve até o limite da desobediência. Recentemente, depois de perceber o fracasso de seu projeto, com exemplos como de Paraná, Matogrosso do Sul, Goiás, Rio Grande do Sul, assistindo São Paulo a beira do colapso econômico, Doria apresentou um plano de reabertura da economia de forma mirabolante, surpreendendo por não explicar nada.

Os secretários estavam ali para confundir e não para explicar. Ponderando, deve ter sido proposital, já que dias depois, debaixo de grande pressão política, esquecendo a famosa frase “em nome da ciência e da medicina”, vem flexibilizando, dia a dia, o que demonstra a fraqueza do momento que o plano de retomada representa.

Esse projeto deveria ter sido apresentado em março, no início das medidas restritivas. Desta forma os municípios fariam o caminho contrário, se fechariam com o agravamento da doença e abririam quando tudo estivesse sendo resolvido, porém como o governador Doria diuturnamente fez policagem, brincou com vidas, sonhos, jogou nosso estado na pior recessão da história recente. No estado de São Paulo ainda temos cidades sem contato ou pouco contato com o covid-19, ou seja, ficaram mais de 60 dias marcando passo, aniquilando suas economias, desempregando e jogando famílias na miséria, destruindo sonhos dos empresários.

De certo as urnas não perdoarão João Doria, mas imediatamente os prefeitos terão uma missão hercúlea encaixando as medidas preventivas a pandemia e a retomada da economia.

 

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e Diretor de Gestão e Sucessão Empresarial da Maxirecur Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br


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