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Antônio Fernandes Panizza: Somos perdulários incorrigíveis

Antônio Fernandes Panizza | 22/06/2019 | 07:30

Outrora, estando no jardim da minha residência anterior, junto à rua, porém encoberto pelo peitoril, ouvi duas senhoras falando sobre o décimo terceiro salário recém-recebido, “você ainda não decidiu o que fazer, mas eu nem pensei e gastei tudo no mesmo dia, gostoso não?”.

Na vida privada o dano é restrito, mas no governamental a questão é grave. A mídia não para de mostrar a quantidade de obras incompletas e paralisadas. Iniciadas em governos passados, seus sucessores se recusaram a conclui-las, preferindo deixar os esqueletos inacabados como marcos do desprezo pelo dinheiro público.

Uma exceção foi o Governador do Estado de São Paulo Mario Covas, que, obrigado a fazer um plano de obras com o mínimo de recursos, prosseguiu as construções incompletas onde o conjunto era estratégico. Entre outras, isto aconteceu com a Rodovia Magalhães Teixeira, em Campinas, e também com a recuperação da ponte sobre o Rio Itanhaém, em Rodovia Estadual no Município de mesmo nome.

A finalidade desta abordagem reside na prática dos esportes em geral e nas categorias inferiores do futebol, todas tão importantes como a principal. Boa parte delas segue o critério da primeira divisão, com campeonato abrangendo todo território nacional. Ora, se na principal nem sempre os times competidores contam com torcedores suficientes para garantir uma renda compatível à despesa obrigatória, dá para imaginar nas outras categorias o dispêndio com o custo das estadias e viagens de grandes deslocamentos, inevitáveis na dimensão continental do Brasil.

Num passado não tão distante, havia os torneios regionais. O “Rio-São Paulo” juntava os dois estados, mas havia também o que trazia Minas Gerais. O do sul reunia os times Gaúchos além dos Paranaenses e os de Santa Catarina, e havia ainda os do Nordeste e as demais regiões. Os jogos de disputa nacional não deixavam de acontecer, porém, só nas fases finais entre os vencedores regionais. Se adotado um programa de ação esportiva em termos semelhantes aos já havidos, ele carregaria uma primeira conveniência pela descentralização, mas a principal vantagem seria a diminuição dos custos decorrente da grande redução das distâncias da maior parte das viagens.

Considerando que o território da França é de dimensão próxima ao da Bahia ou de Minas Gerais, e o Estado de São Paulo não está distante do tamanho da Itália, nossos torneios não mais ficariam em territórios tão maiores aos dos países europeus. Uma transformação baseada em critérios próximos aos aqui mencionados levaria o Brasil a uma economia nas atividades esportivas, podendo, neste aspecto, deixar de ser dos mais perdulários do mundo.

ANTONIO FERNANDES PANIZZA é arquiteto e ex-secretário de Planejamento Urbano de Jundiaí.
E- mail: antonio.fernandes@yahoo.com.br

ANTONIO FERNANDES PANIZZA
PRIMEIRO PLANO DIRETOR DE JUNDIAI


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