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Antonio Panizza: A rotatividade no estacionamento público

ANTONIO FERNANDES PANIZZA | 19/03/2019 | 07:30

No início, o hábito era andar nos passeios e praças, os carros eram poucos, os espaços ao longo das calçadas eram fartos, estacionar não era problema. O tempo foi passando e a quantidade de carros aumentando, induzindo o Poder Público à regulamentação do uso das faixas de estacionamento nas ruas.
Surgiram os talões de Zona Azul, que podiam ser comprados em banca de jornal. Muitos usuários que gostavam de seu carro próximo de seu trabalho relutaram em usar os talões por se sentirem lesados ao perder as vagas gratuitas, as quais ocupavam longamente.
Pretendendo ser uma medida democrática, a venda da vaga por tempo limitado assegurou o acesso às áreas comerciais da cidade ao maior número possível de pessoas.
Surgiu assim o uso rotativo das vagas públicas.
O tempo passou, os equipamentos emissores de talão foram instalados nas calçadas, as faixas de estacionamentos se expandiram alcançando bairros. A população, mesmo odiando ter de pagar, se acostumou com a prática mesmo porque os estacionamentos privados já estavam mais caros.
Nova modernidade chegou e o usuário, agora munido de seu celular, consegue ampliar seu tempo de estacionamento com o conforto de fazê-lo à distância.
Diante da constante falta de vagas, as vantagens de preço somadas à facilidade da ampliação do tempo, favoreceram uma maior demanda, inclusive com o aumento da média de tempo por usuário.
Como nas demais medidas de planejamento, nesta também se impõe que as decisões alarguem o horizonte e passem a incluir novos locais, e mesmo áreas privadas para incluí-las em projeto dessa finalidade. Não faz sentido a Avenida Jundiaí fora dessa regra. Há vias de uso comercial, com duplo sentido de tráfego, maduras para ser novo binário, abrindo assim largas extensões de novos estacionamentos públicos nas ruas transformadas em mão única.
Estacionamentos próximos são essenciais à preservação do uso comercial e de serviço em edificações que há muito deixaram de ser residenciais. A sua falta pode gerar abandono de imóveis, provocando a deterioração de espaços urbanos em áreas sensíveis da cidade.

ANTONIO FERNANDES PANIZZA é arquiteto e ex-secretário de Planejamento Urbano


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