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Antonio Panizza: Ações participativas reclamam investigação

ANTONIO FERNANDES PANIZZA | 12/02/2019 | 07:30

A despeito de seus especialistas em vendas, em finanças para a busca de vultosos recursos e outros convocados para evitar a hipótese de fracasso de um lançamento imobiliário, as empresas, cada qual de per si, fizeram seus empreendimentos com todos os supostos cuidados. Já estávamos no meio da atual década, e outros ramos de atividades também tomaram providências semelhantes, favorecendo o entusiasmo coletivo a favor de uma fase de crescimento. Os enfoques otimistas neutralizaram as percepções do contexto que se agravava, e os lançamentos se realizaram. A construção civil foi farta e se espalhou por todo o território.
A progressiva decadência do Governo Federal nos últimos anos, que já mostrava feridas herdadas das gestões anteriores, passou a não deixar dúvidas sobre a impossibilidade de reversão. A consequência na construção civil, entre outros aspectos, é um provável grande estoque de apartamentos construídos e sem uso, idem de salas comerciais, e, no caso local, muitos pavilhões para logística desocupados.
Não bastasse isso, aqui em Jundiaí tivemos uma inconveniente mudança no Plano Diretor feita na gestão anterior, que mudou o critério de zoneamento, mexeu em gabaritos de ruas, alterou densidades demográficas, em especial neste aspecto estimulando ainda mais quantidades impróprias de habitantes por hectare. Aliás, tema este adorado pelos lobbies das empresas quando das discussões do projeto de lei.
Investigando resultados havidos, nota-se o grave dano havido no entorno urbano dos espigões comerciais erguidos em antigas quadras de residências unifamiliares, que se percebe ser de difícil reparo. Este aspecto cobra desde já uma imediata revisão da regra em vigor. Ao contrário, o grande conjunto de blocos de apartamentos planejado e implantado em futura diretriz viária no alto do Jardim do Lago, se mostra como feliz realização pela amplitude e qualidade dos espaços criados.
A Prefeitura, em sua gestão atual, tem vindo a público para noticiar suas dificuldades em repor a população com condições de não ter de sofrer para realizar empreendimentos normais em seus imóveis. Entretanto, em se confirmando a existência dos estoques mencionados, é chegada a hora dos envolvidos nas questões de planejamento do município cobrar uma investigação de dados completa, pois as decisões agora dependem seriamente do trabalho de urbanistas. As conquistas havidas para a qualidade de vida em Jundiaí, com base no planejamento ao longo de décadas, começam a ser perdidas pela progressiva deterioração dos espaços urbanos, sem que se possa perceber uma reação na dimensão que a situação requer.

ANTONIO FERNANDES PANIZZA é arquiteto

ANTONIO FERNANDES PANIZZA PRIMEIRO PLANO DIRETOR DE JUNDIAI


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