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Antonio Panizza: Saneamento estadual e sua falta de integração

ANTONIO FERNANDES PANIZZA | 09/04/2019 | 07:30

O Rio Jundiaí já foi preto e muito mal cheiroso, e isto por muitos anos. As indústrias usavam suas águas captando-as diretamente, mas sempre a montante, porque após seu próprio deságue elas estavam sempre pior. Foi a partir de um feliz programa da Prefeitura nos anos oitenta, apoiado pelos quadros técnicos locais e do Estado, e ainda pelos órgãos que congregavam as indústrias envolvidas, que se constituiu um Comitê de Despoluição do Rio Jundiaí.
Não foram fáceis os projetos, e mais difíceis as obras dos extensos emissários ao longo dos muitos cursos d’água. Pode-se dizer que todos aqueles participantes lograram seus objetivos, e hoje o nosso município é um exemplar notável no contexto do Estado e da União.
Além das obras para completar a trama da rede de esgoto, e sua ligação ao grosso calibre dos emissários implantados para alcançar a Estação de Tratamento de Esgotos- ETE, esta também foi construída para completar o processo e viabilizar a devolução das águas, então tratadas, ao leito do Rio Jundiaí. Tudo muito bonito, mesmo porque até este estágio o desempenho dos diferentes setores foi elogiável.
Entretanto, acontece que tudo isto repercutiu nas contas dos moradores locais e, com as expressões “afastamento de esgoto” e “tratamento de esgoto”, acrescentou-se um valor da ordem de 25%, em cima do que se pagava. O objetivo aqui não é discutir o valor do custo se é alto ou não, mas o pouco aproveitamento do que se está pagando.
O que ocorre é que tudo que se fez e o mais que se paga só serve para atender ao Município de Indaiatuba, pois logo a seguir o Rio Jundiaí, que conseguiu lograr uma categoria de recuperado, chega à cidade de Salto e se mistura ao escuro Tiete, poluído, cheio de lixo e muito mal cheiroso. A distância entre a ETE de Jundiaí e Salto é da ordem de 25 km, ou seja, pouca vida para um manancial recuperado, que nada pode senão entrar na sujeira produzida pela Região Metropolitana da Capital do Estado.
Com as obras que não se concluem, a ETE da Região Metropolitana a cada ano tem a sua conclusão adiada. Com isto permanece grande parte desperdiçada a recuperação do Rio Jundiaí, bem como dos valores continuadamente pagos pelos moradores das cidades a montante, que cumprem suas obrigações pelo saneamento do Rio.
Planos e projetos estaduais com tais características e que abarcam temas necessariamente regionais, jamais deveriam ter conclusões tão dispares, que imponham longas perdas de recursos colhidos da população.

ANTONIO FERNANDES PANIZZA é arquiteto e urbanista.

ANTONIO FERNANDES PANIZZA PRIMEIRO PLANO DIRETOR DE JUNDIAI


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