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Aos saudosistas das canções de amor

GUARACI ALVARENGA | 19/07/2019 | 07:30

Fui presenteado neste fim de semana, pela querida amiga Ivone de Barros Nogueira, de um exemplar do livro “as 101 canções que tocaram o Brasil” do Nelson Motta. Ao folhear algumas páginas das imortais canções brasileiras, recordei-me do amoroso duelo em que o compositor Herivelto Martins ao separar-se da grande Dalva de Oliveira, “a rainha da voz”, tocou a emoção de toda a geração da época. A angústia da separação tumultuada do casal motivou belas canções de amor.

Herivelto iniciou a dissidência amorosa em “Cabelos Brancos”: “Não falem desta mulher perto de mim / Não falem pra não lembrar minha dor / Já fui moço, já gozei a mocidade / Se me lembro dela me dá saudade / Por ela vivo aos trancos e barrancos / Respeitem ao menos os meus cabelos brancos / e agora em homenagem ao meu fim / não falem desta mulher perto de mim/.

A resposta de Dalva não tardou em “Tudo Acabado”: “Tudo acabado entre nós, já não há mais nada/ Tudo acabado entre nós hoje de madrugada/ Você chorou e eu chorei você partiu e eu fiquei/ Se você volta outra vez, eu não sei/ Nosso apartamento agora vive a meia luz/ Nosso apartamento agora já não me seduz/ Todo egoísmo veio de nós dois/ Destruímos hoje o que podia ser depois/.

A réplica do compositor veio com “Caminhemos”: “Não, eu não posso lembrar que te amei/Não, eu preciso esquecer que sofri/Faça de conta que o tempo passou/E que tudo entre nós terminou/E que a vida não continuou pra nós dois/ Caminhemos, talvez nos vejamos depois/Vida comprida, estrada alongada/Parto à procura de alguém/Ou à procura de nada…/Vou indo, caminhando/Sem saber aonde chegar/Quem sabe na volta/Te encontre no mesmo lugar/
Não faltou o rebate do “Rouxinol” brasileiro em “Errei sim”: “Errei sim,/Manchei o teu nome/Mas foste tu mesmo o culpado/Deixavas-me em casa/Me trocando pela orgia/Faltando sempre/Com a tua companhia/.

Herivelto não deixou por menos em “Segredo”: “Teu mal é comentar o passado/ninguém precisa saber/ o que houve entre nós dois/o peixe e pro fundo das redes/ segredo é para quatro paredes/ primeiro é preciso julgar /para depois condenar/.

Com a chegada de um Carnaval em 1970, as mágoas se cicatrizaram. A “Rainha da Voz” interpretou com fervor de seu talento, que jamais ultrapassara durante sua carreira artística, a inesquecível canção “Bandeira Branca”: Bandeira Branca, Amor/Não Posso Mais/Pela Saudade/Que Me Invade/Eu Peço Paz/ Saudade Mal De Amor, De Amor/Saudade Dor Que Dói Demais/Vem Meu Amor/ Bandeira Branca/ Eu Peço Paz/.

Penso, saudosista que sou de nossa música popular, que neste belo duelo musical, que embalou os suspiros de toda a uma geração de época, neste luta de armas iguais, só teve uma grande vencedora: a canção brasileira. Sejam felizes!!!

GUARACI ALVARENGA é advogado. E- mail: guaraci.alvarenga@yahoo.com.br


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