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As crianças e o celular

Liciana Rossi | 25/01/2020 | 07:30

Hoje eu vou falar sobre um tema cotidiano que preocupa e merece muita atenção e prevenção: o uso indiscriminado de celulares e dispositivos eletrônicos por crianças.

Numa conversa muito interessante que tive com o oftalmologista dos meus filhos, o querido Dr. Luís Carlos Ferreira de Sá, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, ele me explicou os malefícios causados por este uso abusivo.

No último Congresso de Oftalmologia que o Dr. Sá participou, semanas atrás, ele me contou que, na verdade, a Sociedade de Pediatria recomenda que crianças abaixo de dois anos não tenham contato com celulares e tablets. A partir dos dois anos já é possível introduzir estas tecnologias com tempo limitado a no máximo uma hora por dia.

Segundo ele, estudos mostraram que mais de 70% das crianças acima dos 3 anos e 90% das acima dos 5 ´já ultrapassam este tempo.

O Dr. Sá me confessou ter diversas preocupações referentes ao uso abusivo destes dispositivos eletrônicos: a primeira delas é que eles podem interferir no desenvolvimento normal do cérebro, quando usados acima do tempo citada. Outra preocupação é que o uso destes equipamentos tem prejudicado o desenvolvimento da relação pais e filhos, já que antigamente os pais brincavam, desenhavam, contavam histórias e tinham muito mais contato com seus pequenos. Outros fatores não menos importantes seriam aqueles associados à progressão da miopia nas crianças e da obesidade infantil, uma vez que estas crianças ficam menos ativas, além do aumento da tendência de ansiedade e até mesmo da depressão infantil.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca a miopia como a terceira principal causa de cegueira no mundo. Segundo ela, até 2050, metade da população brasileira e mundial terá problemas de visão. De acordo com a Academia Americana de Oftalmologia, uma das causas desta epidemia é o uso excessivo das tecnologias que exigem esforço visual. Achei estes dados no site do Hospital Infantil Sabará.

Pensando em tudo isso, pesquisei alguns sites de especialistas e levantei algumas dicas, muito simples, para que possamos conter estes dados alarmantes: descanse seus olhos a cada 20 minutos de uso nos equipamentos. Evite o excesso de açúcar na alimentação, pratique atividades ao ar livre e aproveite o dia e a natureza com as crianças.

Regule o tempo de uso para suas crianças e seja firme, afinal, crianças precisam de limite.

LICIANA ROSSI é educadora física formada pela ESEF Jundiaí.


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