Opinião

As perdas e o novo mundo

divulgação
CLUBE FLORESTA DIRCEU CARDOSO
Crédito: divulgação

Apesar de, infelizmente, ter antecipado o fim da vida de 65 mil brasileiros, o novo coronavírus pode ser considerado um novo divisor de águas na sociedade. Por conta de sua letalidade (verdadeira ou suposta), passamos a utilizar mais o comércio eletrônico e outros recursos que a internet e seus serviços proporcionam e eram ignorados por considerável parcela da população. Impedidos de comparecer às aulas, professores – especialmente os da rede privada, que não querem perder alunos e renda – passaram a disponibilizar os ensinamentos pelos aplicativos e redes sociais. Comerciantes correram para montar lojas virtuais em paralelo às tradicionais colocadas em quarentena. Bancos ampliaram o seu já desenvolvido serviço on-line. Artistas descobriram o caminho da “live”, que os livra do severo controle das emissoras de TV, rádio e produtoras. Até o futebol acha na “live” a forma independente de exibir seus jogos ao grande público. Tudo isso sem falar da infraestrutura que a rede proporciona aos que trabalham em home office, outro imperativo do período epidêmico. Não é à toa que, enquanto as autoridades de saúde ainda se empenham no controle do desastre sanitário, os estrategistas, tanto do governo quanto do mercado corporativo, já pensam sobre como será o mundo – e particularmente o país – quando o vírus acabar ou pelo menos estiver mais dominado. Muitos acham que, a mercê das dificuldades e descobertas ocorridas no período, boa parte das coisas não voltarão a ser como antes. Até porque fomos obrigados a, na falta do relacionamento presencial, recorrer a serviços eletrônicos e A distância antes disponíveis mas não acessados por acomodados, incrédulos ou até ignorantes em relação à sua existência. E esses serviços, acabam se aperfeiçoando. Muito do que era experimental, depois de passado pelo batismo de fogo da quarentena e do isolamento social (por vezes equivocado), tende a ganhar acabamento e formato comercial para todos utilizarem. Duas décadas atrás se pensava que a TV a cabo com seus múltiplos canais sufocaria a TV aberta. Isso não aconteceu. Hoje temos uma nova vertente do setor, representada pelas “lives” que só têm viabilidade porque boa parte dos receptores ligada à rede mundial de computadores, na primeira massificação da chamada “internet das coisas”. Mas é bom se preparar para, dentro de poucos anos, ter a geladeira, o ar-condicionado, o forno, o chuveiro, a iluminação, o alarme e tudo o que se utiliza dentro de uma casa ou empresa monitorado remotamente e com eles poder interagir através do telefone celular. Quando a pandemia deixar de matar – e consequentemente estiver extinta – não será difícil que, apesar do sofrimento causado, ela passe para a história como um grande empurrão para a utilização criativa dos recursos proporcionados pelo desenvolvimento tecnológico. Tenente

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)


Notícias relevantes: