Opinião

Atenção aos ministros do STF


Não discuto a honestidade dos que ali estão, até por julgar que sigam a consciência e interpretam a Constituição Federal. Esse é o papel de um Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Também não discuto a capacidade desses eméritos ‘juristas’, intelectuais e, contrariando a turba, imagino o quão difícil foi para chegar até ali. Não poderia em hipótese alguma questionar a ideologia política de cada qual, já que juiz que defende a Constituição Federal não leva em consideração ideologia política. Não coloco à prova a isenção de nenhum deles, nem dos mais polêmicos, já que não sou capaz de entrar em suas consciências. O que de fato reclamo, é apenas de bom senso, fundamental para conclusão de um julgamento justo. Bom senso requer ponderação, comparação com experiências, o que sei que todos ali possuem. O julgamento da possibilidade de prisão em Segunda Instância no STF envolve, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 4.895 casos detentos que podem ser beneficiados pela decisão, assim sendo podem revogar a prisão dos mesmos, dentre os quais assassinos, ladrões perigosos, não somente políticos, na minha opinião mais perigosos que os primeiros. Já em respeito à Operação Lava Jato, estamos falando na anulação de praticamente todas as condenações proferidas a partir da investigação, que com a extinção da condenação, o processo deve voltar à Primeira Instância da Justiça Federal em Curitiba, para nova manifestação da defesa e outra sentença. Isso é bom para o Brasil? Onde os ministros do STF querem chegar, caso assim decidam? Excelentíssimos Edson Fachin, Luiz Fux, Rosa Weber, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, José Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello Alexandre de Moraes e Celso de Mello, por favor, defendam os interesses do Brasil, deixem os marginais presos, não deixem de querer um País mais justo. Em 1964, sob o pretexto de preservar a democracia ameaçada por um presidente da República manipulado pelo radicalismo das esquerdas, os militares tomaram o poder. E o que se anunciava como intervenção transitória, com ânimo de devolver o poder aos civis, se transformou no pesadelo da ditadura. A imprensa foi amordaçada, lideranças foram suprimidas, injustiças foram cometidas em nome da ‘estabilidade’. Hoje, com advento das redes sociais, ninguém mais fica alienado de vossas decisões. Não alterem a atual decisão, mantenham a possibilidade de prisão em Segunda Instância, uma boa nova de nossa tão frágil e imatura democracia. CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e Diretor de Gestão Empresarial

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