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BBB 20: quanto pior, melhor

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 13/02/2020 | 05:00

Quero crer que seja verdade que a esquerda e a direita elegeram conjuntamente tal veículo de comunicação como o que de pior existe por interesses próprios, mas confesso que estou me convencendo que há algo concreto em tudo isso.

Vamos ao caso do Big Brother Brasil 20. Como o jornalista Thiago Leifert pode emprestar seu prestígio a esse lixo? Recentemente ele mencionou que também assiste os programas ruins da TV para poder aprender. No mesmo círculo de diálogo, prontamente José Bonifácio Sobrinho, o Boni, ex-superintendente da Rede Globo, diz; “Então você assiste o Big Brother?”

De fato, o BBB 20 é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar palavras adequadas para descrever tamanho atentado à inteligência. Trata-se de desserviço prestado pela controversa Rede Globo, que parece ter chegado ao fundo do poço. Nesse “reality show”, o importante é a futilidade e a intriga, transformando pessoas comuns em protótipos dos telespectadores que desejam atingir. Não é incomum o apresentador chamar os participantes de “nossos heróis”: lamentável distorção no emprego da palavra. Um atentado aos verdadeiros heróis nacionais, dentre os quais os desabrigados das últimas chuvas, gente honesta de renda mínima, minorias, e até nossos verdadeiros baluartes.

Colaboram com isso na construção de um país de mentiras. Na verdade, a Rede Globo é uma empresa que vive de lucro e, para fazer esse papel, mira nos telespectadores brasileiros de forma descomprometida, sem a principal razão de seu objeto empresarial que é educar, divertir e informar. A audiência nacional que tolera tais absurdos não o faz por falta de opção, já que a TV brasileira oferece programas de alta qualidade, mas sim por se tratar de algo apelativo e de alta penetração nos lares. Na maior parte, uma rede de TV vive das contribuições de seus anunciantes.

É surpreendente como grandes marcas podem emprestar seu prestígio a esse show de futilidades, mas elas precisam dar exemplo. No meio empresarial, há muitos anos assisti importantes corporações se destruírem por conta de exemplos deploráveis: lucro que vem fácil se transforma em prejuízo à imagem. Julgo uma grande perda de oportunidade, pois trato de uma corporação de projeção mundial, que ao longo dos anos acumulou merecidos prêmios.

A Rede Globo possui estrutura e vocação para trazer ao público brasileiro informação e entretenimento, contribuindo com a educação necessária para a prosperidade do Brasil. Pobres empresários míopes e imediatistas e pobre Rede Globo parece, mirar o “fundo do poço”.

é professor universitário e Diretor de Gestão e Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting.

 


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