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Benoit Certain. Sabe quem é?

JOSÉ RENATO NALINI | 04/06/2020 | 04:48

Nossa memória é curta e frágil. Esquecemo-nos do que passou e temos a tendência a acreditar que o mundo começou com o nosso nascimento. E que vai acabar quando partirmos.

Por isso é que a figura de Benoit Certain pode ser ignorada pela maioria dos jundiaienses. Entretanto, foi um grande conterrâneo. Nasceu em 13 de setembro de 1911, estudou na Escola Mista da Barreira, no Conde do Parnaíba e Ginásio Rosa. Depois completou os estudos em Campinas.

Jornalista, trabalhou em “O Porvir” e na Folha, aqui em nossa cidade. Em São Paulo, participou da equipe da Folha da Manhã e do Diário da Noite. Em Niterói foi redator do 5º Distrito e Jornal da Tarde.
Participou da vida radiofônica de 1923 a 1947, foi professor particular e também lecionou História na Escola de Comércio “Prof. Luiz Rosa”. Foi secretário da Prefeitura de Jundiaí e estava terminando sua “História Colonial e Imperial de Jundiaí”.

Encontro estes dados numa coluna “Conversa de Livraria”, de abril de 1970, assinada por Horta de Macedo, saudosa figura de intelectual de nossa terra. O Professor Horta de Macedo fala que Benoit era “gênio vivaz, bom conversador, tinha o condão de fazer amigos. Declamava e tocava violão e violino”. Conheceu Benoit na década de 40, ao tomar conhecimento desse projeto de resgate da história, o que os aproximava. Pois escrevia, a esse tempo, a “História de Casa Branca”.

Não consta que a “História Colonial e Imperial de Jundiaí” tenha sido publicada. Em uma carta enviada em 11 de janeiro de 1940 a Horta de Macedo, o jundiaiense observa: “Creio desnecessário dizer que as fronteiras da “Villa Fermoza de Nossa Senhora do Desterro de Jundiahy” eram a margem esquerda do rio Mogi Guaçu e que um século depois da fundação da

Capitania de São Vicente, entre Jundiaí e o sertão, entredistantes cerca de 80 léguas, havia apenas a capela de Mogi Guaçu. Depois formou-se Mogi Mirim, também dependente da Câmara de Jundiaí. A atual Casa Branca formou-se em território de Mogi Mirim, salvo erro”.

Benoit Certain morreu em 1970, quando trabalhava no escritório do Hospital Psiquiátrico de Franco da Rocha. Que destino teria tomado a sua obra histórica, da qual, infelizmente, não se tem notícia?

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020.


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