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Carlos Eduardo Pereira: Somos todos defensores do patrimônio histórico!

CARLOS EDUARDO PEREIRA | 07/08/2018 | 05:10

No último sábado, dia 4 de agosto, se iniciou o mês do patrimônio histórico e cultural. A iniciativa do gestor Marcello Peroni e do diretor William Paixão, do patrimônio cultural, é de grande importância para todos nós, porque são nos lugares da cidade e nos edifícios e paisagens que nos identificamos e, mais ainda, nos situamos e vivemos.
O patrimônio histórico ou cultural é um conjunto de bens que são os edifícios com características de importância histórica para a cidade, lugares e outras identidades que constituem nossa Jundiaí, caracterizada e conservada neste ambiente de cidadania.

Jundiahy, por séculos, foi muito pobre e suas construções em taipa foram praticamente arrasadas, assim como foi em São Paulo. Saint-Hiler em 1826 conta que “em São Paulo, em 1722, só existiam seis casas de dois andares”, como explica Carlos Lemos no livro “Casa Paulista” (1999). Não posso afirmar quantos sobrados foram feitos em Jundiahy nessa data. Podemos relacionar um único sobrado existente desse período: o que a Lojas Pernambucanas preserva ao lado do Museu de Jundiaí.

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A evolução cultural da cidade pode e deve ser medida, também, pelas construções e arquitetura. Cabe a todos o direito de que isso seja respeitado e divulgado. O Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compac) é a instância maior para consagrar nossos Bens. Criado em 2008, tem prestado nesta década um imenso serviço e tem, sob sua responsabilidade, 140 bens para serem resguardados e uma centena de outros para serem analisados.

Diante destas poucas considerações, as iniciativas do mês do patrimônio merecem ser prestigiadas, divulgadas e assimiladas por todos nós. O que está previsto para este mês pode ser acessado em https://cultura.jundiai.sp.gov.br/mes-do-patrimonio-historico-e-cultural/. Quero destacar que as visitas virtuais pelo “Patrimônio 360” nos patrimônios de Jundiaí são uma iniciativa louvável e muito bem-vinda. A prestação de contas e as ações do departamento de patrimônio histórico são de grande relevância e queremos conhecê-las. Principalmente as do Complexo Fepasa, que são preocupantes e precisam, sim, serem debatidas nesse mês.

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Entre outras coisas, quando se fala em remoção de entulhos, nos preocupa o que são estes entulhos e, também, a conservação e o inventário dos bens agregados, como livros, projetos, móveis e os usos originais da Fepasa, entre outras coisas. Importante lembrar a Estaçãozinha – que foi motivo do meu último artigo – que tem relação com o Complexo Fepasa e precisa aparecer incluída e responsabilizada pela gestão do complexo, como prometeu Marcello Peroni, da Unidade de Gestão Cultural.
Todo o nosso esforço possível para as questões da defesa do nosso patrimônio vale.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/carlos-eduardo-pereira-somos-todos-defensores-do-patrimonio-historico/
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