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Carlos Henrique Pelegrini: Filho de mito

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 31/01/2019 | 07:31

“Um pai cuida de 10 filhos, 10 filhos não cuidam de um pai”, tomara que seja isso no caso do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filhote mais velho do Presidente Jair Bolsonaro. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) “azedou o arroz doce” de Flavinho. Segundo relatório do órgão, o filho do presidente não tem renda compatível com a movimentação bancária entre 1º de agosto de 2017 e 31 de janeiro de 2018. De acordo com a revista Veja, o senador eleito movimentou R$ 632 mil em seis meses. Foram R$ 337 mil em créditos e R$ 294 mil em débitos, muito menos do que recebeu. “Milagre da multiplicação dos reais”. Considerando que “filhos tão trabalho somente os 60 primeiros anos de vida”, não é de se surpreender. Como mencionei noutro artigo sobre o capitão, vender-se como mito, vivendo num prostíbulo por quase 30 anos, é estratégia arriscada. Nunca li sobre filhos de mitos, não tão pouco me lembro de bibliografia que verse sobre filhos de santos, filhos são complicados, acho que é por isso. A propósito e desmistificando, o caso de Indira Gandhi, que não possui nenhum parentesco com Mahatma Gandhi (esse sim um mito), era filha de Jawaharlal Nehru, primeira mulher a ocupar o cargo de chefe do governo indiano. Tinha o sobrenome do marido Feroze Gandhi, que havia mudado seu sobrenome para “Gandhi” por razões políticas. Brilhante política, estrategista e pensadora, possuía grande ambição política. Como mulher e ocupando a mais alta posição do governo numa sociedade bastante patriarcal, esperava-se que Indira fosse uma líder de pouca relevância, mas as suas ações provaram o contrário. Poderia citar alguns filhos que aniquilaram a reputação do pai, ou tentaram, mas é desnecessário. Importante o Presidente Jair Bolsonaro descolar do filho e deixar o “barulho” com o garoto, como ele costuma dizer. Logo começará pipocar denuncias de conduta envolvendo o mito, pode ser da proporção ínfima, como “roubar pirulitos”, não importa, mito é mito. Importante se descolar do filhote, já que está mais evidente quanto à existência do sol que o mesmo praticou a velha e má prática do “dízimo parlamentar”, prática que consiste em arrecadar parte dos salários de colaboradores para si, ou para próxima campanha. Difícil consolar os que acreditaram que tudo se resolveria, do inferno Lulopetista ao céu Bolsonarista, isso não existe. Melhoraremos, quem sabe adiantaremos 15 anos, mas sempre alertas. “Mudam as moscas, mas a meleca”… Tenhamos fé.

Carlos Henrique Pellegrini é professor universitário e Diretor de Gestão e Sucessão Empresarial da Maxirecur Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br

 

 

 ARTICULISTA CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI


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