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Carlos Henrique Pellegrini: A disparada do dólar

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 30/08/2018 | 04:50

A alta do dólar e seus efeitos sobre a economia brasileira estão no centro das preocupações do governo. O ministério da Fazenda e o Banco Central montam ações combinadas para conter a sua escalada. A estratégia de atuar em conjunto deve ser mantida, mas a avaliação da equipe econômica é que ainda é cedo para novas medidas, embora não estejam descartadas. Para o governo, a preocupação principal é com o impacto do câmbio na inflação. No esforço para enfrentar um dos momentos mais turbulentos desde a grande crise de 2009, o Ministério da Fazenda e o Banco Central afinaram o discurso.

Mas dentro da equipe econômica, há técnicos que defendem que apenas o BC fale de câmbio no Brasil, já que é órgão que opera no mercado e que tem a credibilidade menos arranhada no governo. O BC pode usar dinheiro das reservas internacionais para irrigar o mercado à vista de câmbio. Há ainda a possibilidade de reduzir alíquotas de importação para insumos. Outras duas medidas são polêmicas: aumentar o compulsório sobre posição comprada dos bancos, ou seja, penalizar a instituição que aposta na alta da moeda americana e a retirada do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre capital de curto prazo para atrair recursos especulativos.

Técnicos acreditam que um aumento na taxa básica de juro no Brasil é uma questão de tempo. Caso o Federal Reserve, o Banco Central Americano, eleve ainda mais os juros naquele país, o Banco Central terá de promover um acréscimo na Selic de 2,5 ponto percentual a 3,5 ponto percentual. Acredita-se que, se nada for feito, o dólar pode atingir R$ 3,00 na virada do ano. Outro temor do governo é com o represamento das tarifas de preços públicos.

Evidente que todos os ajustes deveriam ter sido feitos no primeiro trimestre deste ano. No comércio exterior, a expectativa é positiva. A aposta é que a elevação da moeda americana será sentida com mais intensidade já no início de 2019.  O câmbio atual deixa as exportações mais competitivas. Quanto ao setor industrial, que em alguns segmentos tornou-se dependente das importações inviáveis nesse momento, assistiremos à retomada de produtos outrora fabricados e hoje importados.

“Argentinalizamos” o setor industrial, agora teremos que pagar o preço de sua reconstrução, em alguns casos de cadeias produtivas inteiras, principalmente no setor de bens de capital.  O populismo e imperícia do governo federal criaram uma armadilha nos últimos três anos e, hoje, todos os brasileiros estão dentro dela. Estima-se que levaremos uma década para nos livrar de seus efeitos. Mais uma vez os brasileiros pagarão a conta com aumento da inflação e consequentemente dos preços com mais desemprego.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting / pellegrini@maxirecur.com.br

ARTICULISTA CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI


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