Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Carlos Henrique Pellegrini: Dia Mundial da Água

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI - opiniao@jj.com.br | 22/03/2018 | 03:30

Hoje comemoramos o Dia Mundial da Água, néctar dos seres vivos. Desde que a Terra se formou o volume de água somado em seus três estados físicos é absolutamente o mesmo. As dificuldades para o homem vão da qualidade da água para o consumo – o produto está cada dia mais poluído – até a logística de armazenamento e abastecimento dos consumidores, cada vez mais distantes dos reservatórios e fontes. Comecemos a ver o caso do rio Amazonas. Nosso rio maior despeja no mar cerca de 130 milhões de litros de água doce por segundo. Com 20 segundos dessa descarga, seria possível abastecer cada um dos cerca de 12 milhões de habitantes da cidade de São Paulo, com os 250 litros que cada um consome por dia, em casa. Muita água. A agricultura no mundo consome cerca de 7 quatrilhões de litros por ano, que corresponderia à descarga do rio Amazonas durante cerca de 640 dias, quase dois anos.

ARTICULISTA CARLOS HENRIQUE PELLEGRINICONFIRA OUTRAS COLUNAS DE OPINIÃO

Esse consumo, quase 75% do uso total de água no mundo, tende a aumentar muito, já que até meados deste século China e Índia, com 40% da população mundial, vão ampliar sua utilização em 80%. China e Índia tendem a enfrentar problemas muito graves, por causa de utilização na agricultura de mais água subterrânea do que as chuvas repõem. O Brasil também não escapa. Sua agricultura, na qual o uso da água é mal planejado, contribui para um quadro preocupante. Os problemas não estão apenas na agricultura, estão também no despejo de esgotos sem tratamento nos rios, no desperdício de água, na vulnerabilidade dos mananciais de abastecimento público, nos desmatamentos em áreas de reservatórios e na precariedade de controle dos órgãos ambientais sobre o uso da água.

O relatório da Rede WWF lembra que para produzir uma batata são necessários 25 litros de água; para um ovo, 135 litros; para um hambúrger, 2.400 litros; para o couro de um par de sapatos, 8 mil litros; para o algodão de uma camiseta, 4.100 litros, ou 75 litros para um copo de cerveja. Esses números podem vir a ter muita importância se os países detentores de recursos e serviços naturais – como o Brasil – conseguirem impor o que os vários relatórios recomendam: uma política de valorização da água, de atribuição de valor, seja para uso interno, seja na exportação. Outro caminho está nos investimentos na manutenção das redes de serviços de água, pois custa muitas vezes menos conservar um litro de água do que gerar um litro “novo”, com a construção de barragens, adutoras e estações de tratamento.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting / pellegrini@maxirecur.com.br


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/carlos-henrique-pellegrini-dia-mundial-da-agua/
Desenvolvido por CIJUN