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Carlos Pellegrini: Como criar um esquerdopata

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 09/05/2019 | 07:30

Os termos políticos “direita e esquerda” surgiram como designações nas assembleias francesas do século 18, durante o segundo período da Revolução Francesa, chamado também segundo Reino do Terror, onde milhares foram executados. Na assembleia para criação da nova Constituição, os partidários do rei Luis XVI não quiseram ficar do lado esquerdo, perto daqueles que eram mais pobres e a favor da revolução. Optaram, assim, por sentar do lado direito. Desde então, a “esquerda” defende os direitos das minorias e a igualdade entre os indivíduos, já a direita é a favor de uma visão mais tradicional e conservadora que defende o poder da elite e o bem-estar individual.

O marco da divisão de ideologias no Brasil ocorreu durante o golpe civil e militar de 1964. Os apoiadores do golpe foram considerados “de direita”, já os que se opunham foram considerados “de esquerda”. O progresso de uma nação depende do equilíbrio dessas ideologias, sem que as mesmas corrompam o bom senso e o estado de direito. A polarização política não faz bem, mas o pior é quando o povo coloca a autocrítica e o senso de ridículo de lado. Defender por defender, apoiar por apoiar, sem a análise do âmago daquilo em questão é assassinato da reputação.

No Brasil do “quanto pior melhor” há exageros dos dois lados. “Lula livre, é golpe” são exemplos que beiram a falta a irracionalidade. Como é que se chega a esse estado descartável? O processo de doutrinação de um indivíduo para religião, política e afins, imuniza cognitivamente a mente isolando o pensamento, a reflexão, a memória, a percepção e o juízo. Trata-se de escudo para se agarrar a valores e credos, quase estado de fé, onde a lógica não mais faz sentido. Dessa forma encontramos pessoas de alta capacidade intelectual transformadas em “papagaios”.

Para se produzir essa distorção segue-se processo a muito conhecido. Tudo começa pelo isolamento da pessoa do convívio dos que tem outras opiniões, depois se reduz a exposição de idéias contrárias, a partir dai se conecta a pessoas com credos a emoções poderosas, coloca-se a pessoa dentro de grupos que trabalham para combater ideias contrárias e por fim, repete-se incansavelmente credos, como se fosse um mantra.

Esse processo imuniza as pessoas do bom senso, criando aberrações como “Lula livre, é golpe…” A impressão que sobra é que a sociedade está doente. O Brasil e os brasileiros precisam reencontrar seu néctar e deixar o “Fla- Flu” de lado.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e Diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br

ARTICULISTA CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI


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