Opinião

Caros senadores da República

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ARTICULISTA CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI
Crédito: divulgação

Senador vem da latina sênior, que significa mais velho. Não conota idade provecta, mas condição respeitável. Os mais velhos mereciam respeito nas tribos primitivas por causa da sua experiência, o que os tornava capazes de aconselhar os mais jovens – seu dever era evitar que as gerações inexperientes respeitassem os erros deles. O Senado romano reunia os patrocínios mais respeitáveis para conduzir os negócios republicanos, ou seja, da coisa pública. Nas democracias de poder tripartite e representação bicameral, como pretende ser a nossa, os senadores são representantes das unidades federativas, os Estados. Misturam-se, no modelo imitado do sistema bicameral adotado pelos países fundadores da revolução americana, o mando romano e a estirpe nobre dos barões britânicos. Pode-se argumentar que, já entre os romanos, nem sempre a respeitabilidade era sinônimo de superioridade, como o demonstram conspirações, caso da que terminou por abater Júlio César sob a estátua de Pompeu, á entrada do edifício onde se reuniam os senadores, frequentando por serpentes afiadoras de punhais. E que o sangue azul dos lordes ingleses não garante sua nobreza de atitudes, não sendo a Câmara de Lordes, assim como o Senado americano, um convento habilitado por freirinhas virtuosas. Isso não quer dizer, contudo, que a lenda segundo a qual não existe pecado no lado de baixo da linha do Equador, corrente desde a Renascença, permita um acréscimo de letras capaz de transformar o que não é convento num conventículo, sinônimo pouco empregado de prostíbulo. A imagem é pesada demais, é certo, mas a verdade é que nossos senadores têm abusado da paciência dos cidadãos que lhes sustentam os luxos e caprichos sem receber em troca o exemplo de decência e austeridade que de todos eles, é lícito esperar. Como podem assistir estáticos o Supremo Tribunal Federal (STF) se transformar no quarto poder de nossa república? E vossa obrigação de análise senadores? Trata-se de ato constitucional e democrático um eventual processo de impedimento de ministros do STF que transgridam seus limites e obrigações. Com que direito o presidente do Senado David Alcolumbre (DEM AP) engaveta sistematicamente todos pedidos de impeachment? Até quando um ou outro ministro do STF fará papel de ministério público, delegado investigador, legislador e juiz? Para onde vamos com nossa jovem e imatura democracia? Senhores Senadores, V.Ex.ªs aguardam a população rebelar-se como em 2014? Rogamos que ajam.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de Gestão Empresarial e de sucessão familiar da Maxirecur Consulting, [email protected]


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