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Cenário de estresse na democracia brasileira

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 07/04/2018 | 03:00

O julgamento de Lula se assemelha a um julgamento da Idade Média, quando se julgava com a imensa força de desejo de execução intrínseca do povo. Da mesma maneira, os romanos atiravam cristãos condenados aos leões. Hoje, a televisão faz o papel do Coliseu de Roma.

Há exatos 54 anos e 7 dias um golpe militar “mansamente” anunciava a instalação de um governo de exceção e que, em nome da ordem e da tranquilidade no país, Goulart era deposto em função da crença de que faria um Brasil comunista. Uma ordem em escala crescente de autoritarismo e violência instalada que se agravava por décadas.

Em 1968, tudo piora com atos mais repressores ainda. Em franca oposição, a enorme revolução de costumes e política que ocorria no mundo inteiro. Era tempo de penúria e horror que nunca mais quero assistir.

Nesse momento em que se clama por transparência e combate à corrupção, não se pode permitir que se espalhe qualquer ideia de intervenção militar para salvar o País ou outro motivo de praxe.

A manifestação do general Eduardo Villas Boas, na terça-feira (3), foi inadequada e indesejável e quem continua a acreditar que a solução de caos é o golpe militar. Esqueça! O medo não pode voltar!

A ideia da revolução tecnológica precisa correr e crescer para que as velhas formas ideológicas possam evoluir para uma sociedade mais complexa, onde os governos com transparência sejam garantidos de fato, por conta dessa revolução que ataca a burocracia arcaica que sustenta um poder podre.

É preciso que haja novos meios para coibir escândalos e mazelas ordinárias das propinas e recuperar a ética. Os grampeamentos revelaram um intrincado e vergonhoso estado paralelo e subterrâneo dos políticos “craques” nesses duplos poderes: na arguição dos padrões e na administração da corrupção.

Não acredito que somente o ex-presidente Lula possa ser exemplo de punição pela Justiça. Pior ainda são os políticos que ainda são investigados atribuam tudo isso ao cumprimento da lei. Vamos ver se a Lava Jato não vai parar por aí!

Até o fim deste artigo, Lula não se apresentaria à Polícia Federal em Curitiba.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios


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