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Chutando o balde – por Heitor Freddo (09/12/2018)

Heitor Freddo | 09/12/2018 | 15:30

Fábio Carille – entre a saudade e a Mãe Dinah

Fábio Carillle está de volta ao Corinthians. Mas não chega sozinho. Junto com o treinador também também vem uma característica do nosso futebol: a futurologia. Como discípulos de Mãe Dinah, torcedores e jornalistas já estão fazendo previsões sobre o que esperar do clube em 2019. Os mais otimistas dão como certo o oitavo título brasileiro, com direito à campanha impecável de pontos corridos que marcou o trabalho em 2017. Os mais céticos já profetizam o apocalipse de se apostar no retorno de um trabalho encerrado com enorme sucesso.

Calma, gente. Nem uma coisa nem outra. E o pior é que há poucos meses assistimos o mesmo cenário. Quando Luiz Felipe Scolari assumiu o Palmeiras após a saída de Roger Machado, os torcedores evocaram o espírito copeiro para já dar por certa uma temporada de sucesso com direito a três taças. Na imprensa o que mais assistimos foi o festival de pessimismo com a imagem de um treinador ultrapassado que não levaria o Verdão a lugar nenhum. 2018 termina com as duas análises erradas. O Palmeiras não se tornou a máquina imbatível que levaria a Libertadores, mas o décimo título brasileiro prova que a escolha do treinador foi certeira e que Felipão é – e sempre será – um dos mais competentes profissionais da história do futebol brasileiro.

Se com Scolari a desconfiança era sobre o treinador, com Carille o que se contesta é a capacidade do elenco. Mas quando cravamos que o time de 2017 era infinitamente superior ao grupo que esse ano só escapou do rebaixamento na penúltima rodada, Será?
Quando o trabalho do então auxiliar de Tite começou, o time havia acabado o campeonato brasileiro fora do G-6 e ninguém apontava qualquer mérito no Corinthians que começaria a temporada. Jô era tratado como piada e se tornou o artilheiro e craque daquele nacional. Carille não é mágico, mas conseguia extrair o máximo de seus jogadores. Era visível que todos atuavam no limite de suas capacidades – e o resultado foi incontestável.

Fábio Carille não é mágico, mas é competente. Com esse mesmo elenco eu tenho absoluta certeza que o Corinthians teria brigado por vaga na Libertadores – com grandes chances de ter ficado em sexto lugar. “Ah mas o Jair Ventura não tinha um centroavante”. Carille também não tinha no Paulistão e soube reinventar o jeito de jogar.
O passado não é garantia de sucesso. Mas é suficiente para afirmar que a diretoria acertou ao apostar na volta do treinador

EXPLORADORES DA AMÉRICA

A mais aguardada final da história da Libertadores se transformou num jogo desinteressante. Claro que todos o apaixonados por futebol vão parar nesse domingo para assistir River Plate x Boca Juniors. Mas toda aquela magia que envolvia o super clássico das Américas foi por terra, pedra e ignorância. Por mais interessante que seja o duelo a edição de 2018 não será lembrada pelos 90 minutos. O que fica para sempre é a vergonhosa atitude da torcida do River, o pastelão feito pela Conmebol nas mudanças de horários e datas e a pior escolha possível para escolher o novo estádio.

O torneio que homenageia Simon Bolivar e Jose de San Martin, os Libertadores da América, poderia ser jogado em qualquer outro endereço: Brasil, México, China ou mundo árabe. Menos na capital do país que explorou cada gota de sangue nativo argentino.
Impossível um simbolismo maior de nosso sentimento colonizado.

 

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