Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Chutando o balde por Heitor Freddo (17/02/2019)

HEITOR FREDDO | 17/02/2019 | 14:30

Corinthians x São Paulo – a panela de pressão

Difícil dimensionar para quem a vitória no Majestoso deste domingo é mais importante: para o Corinthians ainda pouco convincente ou para o São Paulo em ressaca pós Libertadores. Uma derrota alvinegra pode aumentar a desconfiança sobre a nova linha de trabalho de Fábio Carille, enquanto no caso tricolor seria mais uma pedra de uma tonelada para Vagner Mancini carregar.

Desde que voltou pra casa, Carille tenta mostrar que não é maestro de uma nota só. Se na primeira passagem ele optou por dar sequência a um DNA de quase uma década com resultados históricos, dessa vez ele propões novas características táticas. A mais visível é a utilização de Vagner Love atuando aberto no ataque ao invés de jogadores que se marcam mais pela entrega em campo do que pela categoria como Romero. É louvável perceber que o treinador ainda em início de carreira não se acomoda. Porém isso só vai funcionar se Carille não destruir o alicerce sólido de defesa que tão bem marcou o período mais vitorioso do Corinthians. E hoje o que vemos é uma dupla de zaga que não convence. Manoel e Henrique parecem não falar a mesma língua. Depois de dois jogos em que saiu de campo vaiado, o Timão chega para o clássico com um pouco mais de tolerância do torcedor após o empate com o Racing na estreia da Sul Americana. Mais um jogo decidido por Gustavo, o atacante que chegou como candidato a chacota e se tornou o principal (ou talvez único) centroavante do futebol paulista nesse início de temporada.

O São Paulo, por outro lado, tem menos a perder nesse jogo em Itaquera. O maior estrago do ano já foi feito – somente um rebaixamento seria mais trágico do que a eliminação em uma fase preliminar da Libertadores para o pequeno Talleres da Argentina. A mudança mais óbvia já aconteceu, da maneira mais estranha possível. Tente acompanhar o raciocínio: André Jardine é o técnico que não teve tempo de ser profissional e perdeu o cargo, mas não foi demitido – ele segue no clube ainda sem função definida. Vagner Mancini chegou como diretor de futebol deixando claro que em hipótese alguma assumiria a equipe interinamente e hoje estreia como técnico interino, sem nem sequer ter tempo de começar o trabalho que lhe era planejado. Cuca já está contratado, mas só assume em abril, podendo pegar um clube campeão paulista – o que aliviaria muito o cenário do Morumbi – ou imerso em uma crise da qual ele não tem responsabilidade, mas já está envolvido. Confuso? Não esperava nada diferente do atual São Paulo.

E se Vagner Mancini encaixar o time e conquistar a taça? Como justificar a chega de um profissional competente e renomado, mas com histórico em criar atritos no vestiário? E se Mancini for um fiasco? Terá moral para voltar a ser cartola e finalmente exercer a função para a qual foi contratado ou, assim como Paulo César Carpegiani no Flamengo em 2018, será jogado aos leões? A gente começa a desvendar o enigma no clássico de hoje.

T_heitor_freddo_coluna


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/chutando-o-balde-por-heitor-freddo-17022019/
Desenvolvido por CIJUN